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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Obama nas alturas

A globalização é um troço curioso. Daqui a pouco vai passar um filme de Orson Wells de 1958 na TV e isso é maravilhoso; quem poderia dizer que não? Porém daqui a pouco vai passar na TV, em um outro canal, uma propaganda curiosa, para não dizer tosca, sem criatividade e oportunista. Estamos falando de Obama no carnaval de Salvador.

Muito estranho, mas é verdade. Não que Obama venha para o carnaval de Salvador, ele estará longe daqui. É que o jingle oficial do carnaval tem como tema Barack Obama, o novo presidente dos EUA, um país lá do Norte. Eu sei, todo mundo fala dele, ele é a esperança do mundo, etc. e tal, mas colocá-lo como tema central de uma campanha de carnaval leva a quê? Eu juro que daria (quase) tudo por um explicação plausível.


O autor da lambança é Nizan Guanaes, esperto publicitário baiano que há 2 anos negocia as cotas de patrocínio da folia momesca na capital. Antes disso, a prefeitura incompetente mal conseguia fechar acordos de R$3 milhões, o que hoje representa apenas 1/3 da fatia do bolo publicitário. Resumindo a história para boi dormir: Nizan, e seu holding Tudo-OCP, controla o carnaval da Bahia. É, isso mesmo. Se a tarefa dele falhar, não rola. Trio não sai, ninguém vai pra rua. E aí temos que aturar um jingle que, ao invés de estar falando das belezas do Estado ou da nossa cultura, cai no oportunismo de verão.


É por essas e outras que eu não boto fé em Obama. Na minha humilde opinião, o governo será um fracasso ao fim dos quatro anos de mandato. Por um simples motivo: nenhum ser humano é capaz de fazer tudo que querem dele, como é o caso de Barack. Então, será frustração só, na maioria culpa de pessoas sem o mínimo senso de realidade que depositam em apenas uma pessoa o futuro de suas vidas. Voltando à Bahia, a transformação de Obama em fenômeno pop só tem lado ruim, porque eu mudo meu nome pra Chica se existe ou já existiu algum fenômeno pop grandioso que não se deu mal na vida. A figura dele, portanto, é alçado a de um Deus. Parece até que fugi do tema, mas não. Obama no jingle oficial do carnaval (que vai encher o saco de tanto que vai tocar daqui até quarta-feira de cinzas) é o exemplo de uma glamorização da figura de um ser humano, que virou cultura pop e não tem mais volta. Vai glamorizar, passar o carnaval e jogar o jingle no lixo. O que deveríamos estar discutindo em relação ao novo presidente dos EUA? Muita coisa, menos isso. E a nossa cultura? Esse ano, pelo que me lembre, os homenageados do carnaval eram os blocos de afoxé, isto é, típicas manifestações culturais da cidade.


E existe uma grande diferença disso tudo que eu falei com a “boa” referência. A sutileza e o bom gosto (meio maniqueísta, é verdade, mas nesse caso eu concordo) são virtudes, pois eu li um hilariante Cordel sobre a passagem de Osama Bin Laden pelo carnaval de Salvador. Imperdível. Usa-se um figura mundialmente conhecida, dialoga com a cultura local e tem um propósito: a sátira. E é comédia e naturalista ao mesmo tempo. É Bahia, nordeste. Barack Obama como tema do jingle do carnaval de Salvador, cada vez mais vendido e excludente, é oportunismo puro. Ele que não saiba.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

É verão, sei lá...


“... dá uma vontade louca de se dar...”. Calma, isso é apenas o trecho de uma pérola do axé music que retrata perfeitamente o atual momento da cidade. Aliás, eu poderia escrever esse texto sobre o verão soteropolitano e replicá-lo nos próximos anos. Mais uma vez calma: temos salvação.

Os tambores já começaram a se aquecer em meados de novembro. Para quem não sabe, a indústria do axé se apropriou de uma prática carioca, a dos ensaios. É, se lá no Rio de Janeiro as tradicionais escolas de samba fazem ensaios periódicos, os artistas da música baiana também fazem os dele. E são muitos. Como eu disse, começaram já no longínquo novembro, mas vem se arrastando e crescendo a cada dia. Se você, caro leitor, pousar hoje em Salvador, terá uma vasta opção da fauna de bandas e artistas da terra. Tem de todos os tipos.

Se eu falei bem da cultura baiana em 2008 (elegi no top 10 melhores fatos do ano), parece que no verão a situação se inverte. É complicado. Os turistas ainda veem à cidade em busca de diversão hedonista – tema esse que tratarei em outro post, isto é, falarei do turismo sexual na cidade. Não adianta ter um programa cultural mais apurado, uma peça mais elaborada ou um show de artistas desconhecidos. O povo quer o velho axé, o novo pagode e muita cerveja e mulher de graça. E é justamente isso que eles encontram.

Os ensaios, portanto, pululam pela cidade. De segunda à segunda a programação é vasta. Eu me perguntava onde é que o soteropolitano arranjava dinheiro para ir a tantas festas, já que custam cerca de 50% a mais que em outras épocas do ano. A resposta é simples: o povo local não tem dinheiro, quem tem são os turistas. Mas, mente questionadora, quem lota os shows são só turistas? Não, incauto. Não! Esses ensaios entopem de gente, mesmo com valores exorbitantes, que já é rica, que gasta dinheiro o ano todo, mas que sozinha não sustentaria essa quantidade de eventos o ano todo. E quem completa? Isso mesmo, sabidão, os turistas. Digamos que existe uma razão perfeita de 50% baianos e 50% turistas. Equação exata.

Porém, o pior de tudo (pois é, ainda tem coisa pior...) é que bandas e artistas de nenhuma expressão, nem mesmo local, surgem “do nada” e começam a lotar shows nos lugares mais inusitados. Turista vai porque não conhece nada mesmo, isto é, 50% da lotação está garantida e aí os soteropolitanos sedentos por carne nova vão também. Fechou.

A minha opinião sobre o axé music muitos já conhecem, ou se não conhece por favor clique no link indicado. Só para resumir: o estilo acabou, pois passaram-se anos e nada, eu disse, absolutamente nada mudou musicalmente nem socialmente. O pagode – outro tema que dá um belo post – reinventou-se e criou um novo esquema cultural e musical aqui em Salvador.

Se tem uma coisa positiva nisso tudo é que a indústria carnavalesca sabe ganhar dinheiro. Enquanto muitos empresários do país lutam para vender CDs, os locais criaram um mercado extremamente rico e vantajoso. Maior exemplo disso tudo é uma pesquisa que saiu no Jornal da Metrópole, veículo local ligado a uma rádio, em que 75% dos outdoors no verão são de faculdades e festas. “Sigam-me os bons?”.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Carnaval 2009

“Pense num absurdo. Na Bahia tem precedente”. Essa frase, dita há cerca de 50 anos, é meio que um epíteto do nosso Estado. Afora minhas histórias doentias e sujas (acredite, em muitos casos é a pura realidade), os precedentes absurdos existem aos borbotões. E polêmicas também. Para 2009, a prefeitura de Salvador gerou discussões acaloradas até na escolha do tema do carnaval. Imagine só.

Aliás, escolha essa completamente sem importância para a engrenagem da festa, que provavelmente ninguém mais iria se lembrar. Mas preste atenção no quadro. Todo ano a prefeitura escolhe um tema para ser homenageado, o que na prática só serve para pautar a decoração da cidade e uma ou outra matéria nos jornais. No mais, ninguém sabe quem é o homenageado.

Pois esse ano a prefeitura queria reverenciar Dorival Caymmi, mas decidiu tudo sem consultar a família do velho Dori. Depois de tudo anunciado, a imprensa foi repercutir com os filhos e... Epa! Ninguém sabia. A discussão então volta à pauta da organização da festa, que começa a pensar em homenagear Carmen Miranda, que, por sua vez, não teve a imagem liberada pela sobrinha. Numa semana, o impasse e a sucessão de informações desencontradas estavam instalados na cidade.

Um assunto irrelevante passou, então, a ter uma repercussão muito maior do que deveria. A incapacidade de resolver um problema simples e pouco importante só nos leva a crer que outras questões muito mais relevantes terão o mesmo caminho: a confusão. Quer dizer, todos já sabemos disso, mas esse seria um tema para outro post.

Por outro lado, se é para homenagear uma figura pública, proeminente e importante culturalmente, porque há a necessidade de uma autorização meramente burocrática? Ganância familiar? Muito melhor então foi a, enfim, escolha da prefeitura: homenagear os afoxés e os 60 anos do bloco afro Os Filhos de Gandy.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

O Divã do Axé Music

Mesmo pertencendo a um filão que cada vez gera mais dinheiro, os artistas baianos de axé tentam se aventurar por outras áreas musicais. É o caso de Ivete Sangalo, Banda Eva, Margareth Menezes, Daniela Mercury, Claudia Leite e muitos outros, que renegam o estilo durante todo ano, para no período do carnaval se esbaldarem na folia profana dos milhões de reais.

É engraçado. Em fevereiro, todos estão estampados na TV para milhões de brasileiros assistirem o que muitos dizem ser a maior festa popular do mundo, feito esse bastante controverso. Os planos publicitários não negam: o negócio dá dinheiro e não é à toa que no último carnaval a prefeitura conseguiu vender com folga as cotas de patrocínio. Os blocos, grandes mantenedores da folia, acumulam cifras cada vez mais astronômicas para estampar nas camisas e trios marcas nacionalmente famosas. Mas porque então as estrelas do axé só se voltam ao estilo nesse período do ano?

Claro, muito longe daqui existem as micaretas, que movimentam mais outros milhões (curioso que em se tratando de axé tudo é em “milhões”) por todo país. Ninguém se engana, mas Ivete e Claudia Leite, pra ficar apenas em dois nomes, faturam rios de dinheiro com essas festas. Mas musicalmente falando, o papo é outro.

Somente esse ano, vários estandartes do axé music lançaram trabalhos em outros ramos musicais. Margareth Menezes acaba de jogar no mercado seu novo disco, “Naturalmente”, recheada de canções compostas por Nando Reis, Chico César, Gilberto Gil, Arnaldo Antunes e Marisa Monte. Axé? Muito longe disso. A própria disse que queria se distanciar do som da Bahia. Ivete Sangalo é outra, que acaba de lançar um CD de música infantil juntamente com Saulo Fernandes, outro baluarte da atual cena baiana. Daniela Mercury, não precisa nem dizer, já figurou no cenário brasileiro ao som de canções que beiravam a MPB voz e violão. E Carlinhos Brown? Músico inquieto e extremamente criativo, já viajou por estilos variados, mas sempre com sucesso nacional. O Jammil também andou se aventurando pela onda acústica, assim como Cheiro de Amor (que ainda vai lançar). Luiz Caldas também não fica de fora: lançou esse ano 4 CDs distintos, cada um num estilo diferente.

Auto-afirmação

O problema do axé é a auto-afirmação, já que todo esse cenário de 10 meses no ano só vem para confirmar essa tese. Criticados por serem superficiais e fracos musicalmente, eles se voltam, durante o ano, para trabalhos mais autorais e aprofundados, sem perceber que essa não é a praia deles. O resultado quase sempre é ruim. O mundo pop já provou que querer agradar somente a crítica somente não leva ninguém a lugar nenhum. Alguém lembra do caso Netinho? Ele abandonou uma carreira de sucesso no axé para cantar mpb/pop e se deu mal, tão mal, que voltou correndo para as tetas da indústria do axé anos depois.

Para não cair no erro do ex-Banda Beijo, os artistas de hoje fazem o jogo da balança: de março a dezembro tentam se afirmar musicalmente tocando coisas fora do axé, e nos dois meses seguintes correm ofegantes para as tetas da mamãe axé. É claro, não admitem de forma alguma o problema, mas a cada ano essa questão vem crescendo. É só ver nos blocos em fevereiro a alegria carnavalesca dos milhões.

Para mim, o pior é o caso de Daniela Mercury, que tem um potencial enorme para cantar mpb/afins e faz, mas ainda tem a cara de pau de dizer que no carnaval ela é revolucionária. Certo ano, levou para cima do trio um pianista clássico que acalmou todas as brigas e fez o folião mais louco dormir sonhando com os anjos. E a música eletrônica? Ela leva, mas até um certo ponto. Na maior parte do trajeto é tambor de um lado, guitarra do outro e as letras superficiais comandando a festa. Axé puro. O mesmo acontece com Carlinhos Brown, que só deixa para a Bahia as músicas descartáveis e com futuro somente no gueto axezístico. Para o resto do país ele mostra sua veia mais criativa e sensível.

Pensa que eles ligam? De forma alguma. Em fevereiro estão lá, prontos para mais um ano de folia, esbaldação e exploração do profano.

Contra a maré

Mas há quem vá contra a maré. Chiclete Com Banana, por exemplo, navega tranquilamente no barco do axé sem (quase) nunca o renegar. É fato que vez ou outra gravaram um disco de forró, mas nunca deixaram de lado o estilo que o consagraram. Assim faz também o Asa de Águia e outras bandas menores de pouca expressam, mas que não se sentem sujos ao abraçar o axé o ano todo. No caso desses não há vergonha. Muito mais honesto.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Top 10 em inglês

O 11 de setembro chegou e vocês acharam que eu ia esquecer da data? Tudo bem, eu esqueci, mas me lembrei nestante. E que porra o 11 de setembro, as torres gêmeas, os EUA e Bin Laden têm a ver com a Bahia?

Top 10 motivos para Bin Laden estar escondido na Bahia

1 - Junto com Caetano e Gil, está tentando reviver o movimento Tropicalista, já que Tom Zé já disse que não quer mais.

2 - No Islã, dizem que quando o homem morre ele terá 21 virgens à espera no paraíso. Bem, Bin Laden se confundiu no caminho.

3 - Depois das Torres Gêmeas, a idéia era acabar com o axé, mas ai a mulata balançou a bunda e o negão tocou o timbau... E tudo virou festa.

4 - Veio só dá uma passadinha pra conhecer o Carnaval, mas acabou ficando. Sabe como é... Dá uma preguiça...

5 - Ainda tá passando por um estágio na Polícia Militar da Bahia, conhecida por seus métodos “suaves”.

6 - Não está mais. Ele já morreu, afinal, ele era ACM.

7 - Ele soube de uma tal aldeia hippie em Arembepe e tá lá até hoje.

8 - A Bahia está estrategicamente localizada para realizar novos ataques terroristas no mundo. Só resta saber quando Bin Laden vai levantar da rede.

9 - Afegão é tudo burro mesmo.

10 - Com a palavra, Gilberto Gil: “A conjuntura pós-11 de setembro, que num contexto amplificado e normatizado, alongou-se na plenitude ocasional de um quadrívio ontológico e único que levou as forças terroristas a momentos inexeqüíveis". Cala a boca, Gil!

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Ostracismo

Contar a história recente de Salvador é bem bacana. O ano-a-ano soteropolitano é sempre igual. Os acontecimentos, as brigas, as eleições, a cultura, o povo, o futebol, o centro, a prostituição, a alegria, o carnaval, a chuva... É tudo a mesma coisa todo ano, mas porque todo ano todos nós ficamos surpresos?
Todo ano chove. E muito. Quando digo muito é no sentido de qualidade e não quantidade. Normalmente no começo do ano é sol o dia todo, mas num dia perdido de janeiro, o tempo vira e a chuva destrói tudo, leva barracos, alaga ruas, deixa o povo sem trabalhar. E mais ou menos entre março e maio é o mesmo cenário de caos, só que alguns dias a mais. É exatamente igual todos os anos, pelo menos desde que nasci.
E todo ano tem greve dos motoristas de ônibus. Senão deles, tem paralisação pelo aumento da tarifa. O transporte, que é um caos, deixa as ruas povoadas pelo acaso. Agora mesmo teremos mais uma.
Todo ano tem uns bares da moda que bombam até dizer chega e outros tantos que fecham as portas depois de anos bombando até dizer chega. As mesmas pessoas freqüentam os mesmo locais.
Todo ano o teatro baiano se ressente de novas produções e investimentos. E assim também o rock, o cinema e a cultura toda.
Todo ano a imprensa baiana ganha mais uns retardados e inoperantes jornalistas. E o panorama da mídia local se mantém acanhada e sem prestígio.
Todo ano o carnaval é a maior festa popular do mundo que atrai os (mesmos) mais de 1 milhão de turistas ao redor do globo. É alegria, festa, axé, putaria e muita cerveja. E tem lá seus reis e rainhas, músicas do ano e o escambal. Tudo igual.
E todo ano tem um chato que reclama e outros tantos mandando ele se fuder.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Se a moda pega...

Em Taubaté, concurso para escritutário tem questões sobre BBB e casal global

Essa é a nova moda então, né?! Pois agora os próximos concursos da prefeitura de Salvador serão na mesma linha. Vejamos as perguntas:

- Quem era o vocalista da banda Companhia do Pagode?
- Cite três grandes festas que acontecem anualmente no Wet n´ Wild.
- Porque Varela emagreceu tanto?
- Qual a sexualidade de Casemiro Neto?
- Desde que ano Bell Marques usa aquela bandana?
- Situação problema (questão objetiva): você é o anfitrião de 10 turistas que nunca vieram ao carnaval de Salvador. Você está no Farol da Barra, em pleno sábado de carnaval às 22h, e tem que chegar até o Hotel Othon. Qual o melhor caminho? Detalhe sua resposta.