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terça-feira, 4 de novembro de 2008

Festa de Baiano

Num âmbito tradicional e cotidiano, a típica festa de baiano se repete praticamente igual em qualquer lugar da cidade e do Estado. Para quem não é daqui, é capaz de não saber, mas o baiano adora festejar qualquer coisa, desde aniversário, até formatura de high school e ovações a santos e orixás. E, par a isso, gosta mais ainda de economizar nos comes e bebes.

A hospitalidade é conhecida nacionalmente, mas não confunda isso com “mão aberta”. Baiano é o cidadão mais miserável que existe quando o assunto é dinheiro. Numa festa não é diferente. Tirando os típicos salgadinhos e doces ao estilo buffet, o típico festejo da Bahia é regado a Caruru, Feijoada ou qualquer outra comida que se faça numa panela de meio metro e que dê pra meia cidade. É, porque nesse tipo de comida é barato e todo mundo come. Óbvio, precisa nem dizer, que todo mundo gosta e sai falando bem.

O principal prato, no entanto, é mesmo o caruru. Eu já falei aqui rapidamente, certa feita, sobre o Caruru, essa iguaria típica daqui e que arrebata corações. O baiano adora porque, primeiro é com dendê (e tudo com dendê é saboroso) e segundo porque não é preciso muito dinheiro para fazer. Qualquer feira de esquina tem quiabo barato, mas tem que saber escolher. Cozinhar é difícil, mas com o tempo pega-se a prática e, além disso, toda família baiana razoavelmente grande tem uma secretária do lar (empregada, porra!) de longa data que sabe fazer tudo na cozinha, principalmente comida típica. Para acompanhar, tem de tudo: arroz, acarajé, vatapá, farofa de dendê, feijão fradinho, rapadura, xinxim de galinha, banana frita e muito mais.

Mas o Caruru não é simples assim quando falamos da sociabilidade. Numa festa de baiano, é comum chamar todo mundo que se conhece para dar um quorum legal e todo mundo sair falando bem, outro ponto importante do nascido na Bahia: gosta que falem bem da comida dele. No caso da iguaria de quiabo, existem várias “desculpas” para se fazer. O mais famoso é o Caruru de 7 meninos, em que faz-se o prato 7 meninos comerem. É uma tradição típica da Bahia, já que une santos católicos e orixá do candomblé. O dia é 27 de setembro e nem só crianças comem, pois é extremamente comum nesse dia famílias fazerem Caruru em homenagem aos santos gêmeos ou ao orixá ou aos dois. E todo mundo come.

Mas também existem outros Carurus famosos, como o de Santa Bárbara, mas também se pode oferecer a iguaria a qualquer coisa, como falei anteriormente: de formatura a um simples aniversário. Tem também o Caruru da Semana Santa, uma bela de uma contradição católica que só poderia ser vista aqui na terrinha, pois a comida é de candomblé e ingerida numa festa (uma das maiores) católica – é assim muito pelo fato de que num determinado dia da Semana Santa, como todos sabem, não se come carne. O Caruru faz companhia à moqueca de qualquer coisa que se faz nesse dia.

Outras comidas típicas oferecidas em qualquer festa de baiano: maniçoba (uma das comidas mais difíceis de fazer), feijoada, cozido, dobradinha e sarapatel.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Amaralina e a quiabada

Existe na Bahia duas ótimas contextualizações para a expressão “complexo de inferioridade”. O termo em questão todo mundo sabe o que é e como usar. Mas na Baêa é diferente. Vejamos.

Um exemplo claro é a quiabada (para os desavisados: ensopado de quiabo ou algo que o valha), que nada mais é do que um caruru (para os desavisados: “muqueca” de quiabo, ou algo que o valha) que não deu certo. Traumatizante, diriam uns. Tosco, diriam outros. Mas a verdade é que eu sempre me irrito quando tem em casa para comer uma quiabada: “Porra, porque não um caruru?”, é o que mais e ouve. É só acrescentar o dendê e pronto, tá feito o caruru. Mas não, prefere essa coisa bizarra de quiabada. Na realidade, todos amam o caruru, que é a cara da Bahia e vem sempre acompanhado de várias coisas: vatapá, arroz, galinha, farofa de dendê, pipoca, etc. Ninguém faz “Quiabada de Sete meninos”, mas sim “Caruru de Sete Meninos”. Ninguém oferece quiabada a santo ou orixá, o caruru é oferecido a todos. Sem dendê, a única vantagem da quiabada é a praticidade, porque é só cortar quiabo e jogar carne e abóbora que tá feito o ensopado, a iguaria que sempre quis ser um caruru e nunca conseguiu.

Assim também é com a Amaralina, esse aprazível bairro de Salvador. Uma localidade que não sabe o que é, não sabe onde começa nem muito menos onde termina. Você vem da Pituba, ali na Manoel Dias, e vai indo, indo... Quando de repente não sabe se já está em Amaralina ou não. Enquanto você está pensando nisso, o carro já chegou no Rio Vermelho e pronto: nada de Amaralina. Ela fica bem entre a Pituba e o Rio Vermelho, dois bairros tradicionalíssimos de Salvador. Na verdade, é apenas uma ponte de um para outro. O único grande ponto de referência do bairro é o Quartel de Amaralina, esse sim todos conhecem (grande parte dos homens de Salvador se alistou justamente lá para o exército). Mas, o pior de tudo para Amaralina é ver o crescimento vertiginoso de um braço seu, um apêndice que hoje é muito maior que ele próprio. Sim, é o Nordeste de Amaralina, que relega apenas ao sobrenome o nome do pai. Em muito casos fala-se apenas Nordeste e tá tudo certo. Mesmo sendo uma bocada da porra, o Nordeste é hoje muito maior e mais importante que a pobre Amaralina (nome desgraçado, deve ter vindo de algum “Amaral” da nossa história).

Se alguém tiver mais algum exemplo, por favor, fique a vontade.