Se o filme Ó Pai Ó, lançado em 2007 e dirigido pela péssima Monique Gardenberg, apresentou uma história fraca e sem pé nem cabeça, agora a série, de mesmo nome e que estreou na Globo nessa sexta, resolveu apelar. E fez feio, muito feio. Com a mesma diretora liderando o projeto, o seriado teve seu primeiro episódio repetindo os mesmos erros do longa: história fraca, personagens caricatos e piadas sem graça nenhuma.Eu realmente não sei qual é pior: se o primeiro episódio ou o filme todo, lançado há quase dois anos. Dessa vez, o projeto manteve parte dos personagens e histórias antigas, mas em momento algum consegue ganhar fôlego. De um lado temos o mesmo Roque tentando ser cantor, e do outro um punhado de personagens saídos do imaginário de pessoas que de jeito nenhum vivem a realidade de onde tentam mostrar. Aliás, o tal Roque é cantor de um estilo típico de grandes gravadoras e produtores musicais, nunca soando genuinamente baiano. Podia ser um reggae, pagode, axé, brega... Mas o que se ouviu foi um estilo asséptico e certinho demais. E as roupas dele? Visivelmente de marca e com ícones americanos, como Jimmy Hendrix, e sem nenhum diálogo com a realidade local.
Os problemas não param por aí. A temática abordada nesse episódio, “Mercado Branco”, em momento algum consegue cumprir seu papel de crítica ao falido sistema fiscal brasileiro e municipal. Por mais que tente, o roteiro só consegue tirar poucas risadas quando o tema é tratado, deixando de fora uma discussão mais ampla e centrada do problema dos impostos e do mercado informal.
Os personagens, nessa mesma linha, não convencem, principalmente para quem mora em Salvador. Alerto: esse povo do seriado não existe! A realidade é outra muito mais sofrida, violenta e sem maquiagem. Se a intenção era mostrar o povo, como alardeou diretores, atores e produtores, a missão falhou feio. Tudo é muito colorido e os personagens falam como se estivessem gingando numa roda de capoeira, sem nenhum espelho com a naturalidade do povo.
Se vocês puderem, fujam do próximo episódio. Eu ainda me pergunto como um cara talentoso como Matheus Nachtergaele se propôs a fazer aquele personagem, o Queixão. Não consigo entender, não entra na minha cabeça. Lázaro Ramos? Esse aí tem justificativa: parece que sentiu uma dívida com o Grupo de teatro que o ajudou no começo da carreira (que produziu a peça original “Ó Paí Ó”) e resolveu retribuir encabeçando o projeto. Pena que é uma furada das grandes.


