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quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Top 10 - Novelas e Seriados

Quem visita sabe, mas não é demais falar: todos os top 10 têm como foco a Bahia. Portanto, esse é o top 10 novelas e seriados passados ou com alguma ligação com a Bahia. Outra coisa que eu queria falar é sobre novelas que não definiram exatamente onde se passavam, como Mulheres de Areia, Roque Santeiro e A Indomada (essa última eu acredito ser Pernambuco, mas não há nada comprovado) e que eu não pude colocar na lista. Ah, minha fonte inesgotável de pesquisa e que serve como um google da teledramartugia do Brasil é essa aqui.

Top 10 - Novelas e Seriados



1 – Renascer (1993)
Como toda boa novela, foi um marco para uma geração de adultos e crianças. A história de um fazendeiro, suas terras e relações amorosas em Ilhéus rendeu um dos maiores ibopes para a Globo até hoje. Quem não se lembra de José Inocêncio? E João Pedro, Tião Galinha, Buba, Professorinha, Padre Lívio e Teodoro? A trilha sonora também reserva grandes nomes noveleiros, como Fábio Jr., Guilherme Arantes, Elba Ramalho e Roupa Nova. A abertura, típica de Hans Donner, embalou gerações com a música (Ivan Lins) “nada cai do céu, nem cairá...”.

2 – Tieta (1989-90)
Marcou época pelo grande desempenho de Sônia Braga, loucuras de Perpétua e pelas histórias mirabolantes de Jorge Amado. Aliás, a novela é filha da tradição global de adaptar obras do mestre.

3 – Porto dos Milagres (2001)
Outra história baseada em obras de Jorge Amado, mas dessa vez a Globo ousou mais e criou bastante coisa. Destaque para a história de pescadores, a luta de classes e personagens pitorescos, todos típicos da obra novelística de Jorge. Quem não lembra da eterna lua cheia da cidadezinha?

4 – Pedra sobre Pedra (1992)
Mais uma disputa de poder entre famílias, mas dessa vez na Chapada Diamantina. Lima Duarte e Fabio Jr. roubaram a cena nessa trama, principalmente esse último, que fez Jorge Tadeu e até hoje é lembrado por isso.

5 – O Bem Amado (1973)
Mais uma luta de força políticas numa cidadezinha do interior baiano. Parece tema batido, mas a Globo sabe fazer isso muito bem e deixar no nosso subcosciente personagens impagáveis, como as irmãs Cajazeiras, Odorico Paraguaçu e Zeca Diabo. Essa eu vi em “Vale a pena ver de novo”.

6 – Dona Flor e Seus Dois Maridos (1998)

Seriado em 18 capítulos passado em 98, foi um grande sucesso nacional. Giulia Gam é meio derrubada, mas aqui ela deu tudo de si (literalmente). Carlinhos Brown cantou a música tema.

7 – Gabriela (1975)
Mais um clássico de Jorge Amado transposto para as telinhas. Quem lê o mestre sabe da sua habilidade novelística e esse é mais um exemplo. Sônia Braga deu (opa) uma ótima Gabriela, cravo e canela.

8 – Quinto dos Infernos (2002)
Seriado que mostrou de maneira hilária os bastidores da independência do Brasil. Como não poderia deixar de ser, uma boa parte da trama se passa em nossas terras baianas. Dá pra entender um pouco da nossa herança...

9 – Guerra de Canudos (1998)
Filme de Sérgio Rezende apresentado como microssérie, explora a história do famoso Antônio Conselheiro e sua luta pela liberdade. Vale pelas cenas de guerra e pelo grande elenco.

10 – Verão Vermelho (1970)
É muito antiga e desconhecida, mas entrou na lista por alguns motivos: traz no elenco a talentosa Dina Sfat, é escrita por Dias Gomes e sua cena inicial se passa no Iate Clube. Chique.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Baianidade nagô

Mais um post de recomendações. Confesso que já tinha preparado os textos dessa semana, mas sábado saiu no A Tarde um especial sobre a baianidade, ela mesmo, a famigerada. Achei que tinha tudo a ver (e tem).

Pra quem não teve oportunidade de ler, recomendo imensamente. As matérias e entrevistas são um mergulho nesse conceito bastante falado e pouco discutido – em larga escala, porque no meio acadêmico as teses e dissertações correm o mundo. Dá pra saber, por exemplo, que no século passado (porra, como soa estranho falar “século passado”) a baianidade foi em grande parte fruto das músicas de Dorival Caymmi e dos livros de Jorge Amado, das interações dos personagens que ambos criaram. Essa imagem, portanto, foi sendo criada na cabeça do resto do país, o que eu vejo como um fato simplesmente, sem julgamento de bom ou ruim. O problema todo é que a partir da década de 50, a Bahia passou a usar esse conceito de baianidade, preguiça e alegria para vender o Estado como destino turístico. E o fez com bastante competência.

Enfim, não sou eu quem fala isso e nem devo ficar aqui gastando meu “blá blá blá”. Leiam as indicações que vale muito a pena.


: : Entrevista com Osmundo Pinho, Pós-doutorado em antropologia pela Universidade de Campinas e pesquisador da cultura negra.
: : Turismo e Baianidade: a construção da marca “Bahia”
: : O Brasil Best Seller de Jorge Amado - Ilana Seltzer Goldstein
: : Dicionário de Baianês – Nivaldo Lairú

Desfaz-se nesse instante o momento intelectual do blog. Nos próximos dias voltaremos com a programação bagaceir... quer dizer, com a programação normal

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Cinema baiano nas alturas

Ano que vem promete ser bom para o cinema baiano. Serão lançados em 2009 duas grandes produções – pelo menos no papel. E produzidas quase integralmente em terras de ninguém.

Curioso também que os dois filmes são baseados na obra de Jorge Amado. O primeiro é “Capitães da Areia”, uma história que, confesso, deve ser difícil transpor para as telonas. Fiquei nessa dúvida e resolvi reler o livro mês passado e, mais uma vez, constatei que vai ser complicado para Cecília Amado (sim, neta do homi) colocar a história de Pedro Bala, Professor, Dora & cia. para o cinema. Não existe muita linearidade na narrativa e os casos vão acontecendo ao longo dos capítulos. Estruturalmente, o livro é um apanhado, enquanto que no cinema essa questão terá de ser bem trabalhada para não virar um amontoado de histórias sem um fio condutor. Veremos. O filme, aliás, nem começou a ser rodado, mas está tudo pronto. Quero ver como será tratada a questão do comunismo, luta de classes e liberdade, temas bastantes presentes no livro do mestre.

A outra produção ainda está em fase de pré-produção e é baseada no livro “Morte e a morte de Quincas Berro D´Água”, muito bem falado pela crítica. Confesso que não li, mas tenho uma enorme vontade. Eu até confio mais no resultado desse ai, afinal, será dirigido por Sérgio Machado, o mesmo responsável pelo excelente “Cidade Baixa” (aliás, esse filme merece um comentário mais aprumado aqui no blog. Cobrem) e produzido por Walter Salles. Outro ponto forte é o elenco: Wagner Moura, Lázaro Ramos, João Miguel e Stênio Garcia. O negócio é sério.

Fora essas duas produções mais famosas, outras coisas também estão sendo feitas no cinema baiano. O cenário agora parece estar forte: saiu no A Tarde de domingo (pena não poder reproduzir o texto completo aqui; o conteúdo do site é exclusivo).

sexta-feira, 18 de julho de 2008

O bonde dos novos tempos

Eu sou do tempo da internet discada e imagino que vocês, caros leitores, também. Era dificílimo para se comunicar, mas a gente dava um jeito. Os sites e opções para se fazer na internet eram muito limitados.

Agora a nova onda é utilizar a internet pra roubar. Calma, não do jeito que estamos acostumados, com hackers, etc. Semana passada uma notícia daqui da terra passou meio despercebida. Eu até lembrei de comentar no blog e anotei, mas esqueci e hoje me deparei com a tal anotação. Pois bem. Semana passada um grupo de adolescentes fez um arrastão na Tancredo Neves, a nossa av. paulista de pobre. Passou roubando quem visse pela frente nas passarelas. Cerca de 40 meninos foram presos depois que um rapaz denunciou.

O mais engraçado é que eles revelaram à polícia que se encontram pela internet e de lá marcam tudo. Novos tempos. Estamos vivendo o lado negro da inclusão digital. Isso também me fez lembrar de um grupo de trombadinhas famoso, os Capitães da Areia. Na história de Jorge Amado, o grupo aterrorizava as famílias ricas da Barra e Graça, roubando de tudo. Os policiais nunca conseguiam pegá-los e davam os dedos da mão para descobrir o esconderijo deles. E eram adolescentes assim como esses de hoje que, ironicamente, denominam-se “O Bonde”, numa alusão às gangues cariocas. Se fossem do Capitães da Areia eu duvido que teriam sido pegos. E se fossem iam fugir e voltar a assustar as famílias ricas. Bons tempos, Jorge.

Notícia completa do acontecido.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Top 5 - Casais Baianos

Em homenagem ao dia dos namorados, fiz esse top 5 casais baianos, o que inclui desde os mais sérios e amáveis, até os mais toscos. Top 5 justamente para selecionar mais. Feliz dia dos namorados e a polêmica é serventia da casa.

Top 5 - Casais Baianos


Casal de três típico da Bahia. Os três se dão bem “perfeitamente” juntos e não é a toa que no final Dona Flor não poderia escolher entre Vadinho e Teodoro Madureira. Historinha rápida: certa noite, quando Jorge Amado estava para terminar o dito livro, Zélia já se preparava para dormir e perguntou se o marido não ia também. Ele respondeu que não, que ainda tinha que decidir com qual homem Dona Flor ficaria. Na manhã seguinte, Zélia perguntou a Jorge: “E ai, meu nego... Ela ficou com quem?”. Ao que ele responde: “Aquela Flor é uma vadia mesmo. Ficou com os dois”.

2 – Gilberto Gil e Caetano Veloso

Podem falar o que for, mas ninguém me convence que esses dois não formam um casal. Ou pelo menos formaram lá pela década de 60 e 70. Esse negócio de Festival da Record, Tropicalismo, Doces Bárbaros, carnaval... Sempre estavam juntos e levam o maior jeito.


3 – Jorge Amado e Zélia
Gattai
O que falar desses dois? Passaram momentos lindos repousando em casa no Rio Vermelho. Jorge escreveu romances históricos e belíssimos, enquanto Zélia (que é paulista, mas aqui tá valendo) escreveu outros razoáveis. Mesmo assim, eu tenho certeza que um era muito importante para o outro no trabalho. São quase símbolos da Bahia.


4 – Catarina Paraguaçu e Caramuru (Diogo Álvares Correia)

Talvez a primeira lenda urbana de Salvador. E olhe que linda história de amor. O cara vem lá de Portugal, vira náufrago e passa a viver com os índios. Ele conhece Paraguaçu e se apaixona, tendo ainda a irmã dela, Moema, como último vértice de um intricado triângulo amoroso. Dizem que quando os pombinhos foram para a Europa, várias índias se jogaram no mar em desespero, inclusive Moema.

5 – Wagner Moura e Lázaro Ramos

Os dois surgiram juntos para o Brasil, embora em situações diferentes aqui em Salvador. Desde lá, eles já fizeram várias programas e filmes juntos, virando piada até no Casseta e Planeta. E olhe que eles se combinam. Eu contei 8 participações da dupla junta: Sexo Frágil, Saneamento Básico, Ó pai Ó, Cidade Baixa, Nina, O Homem que Copiava, Carandiru, O Homem do Ano.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Árvore genealógica II

Dando seqüência a nossa árvore genealógica, vamos ao galho masculino.
Dorival Caymi – Pregador do cancioneiro popular. Cantou aos quatro ventos a vida, a malemolência e as maravilhas de ser pescador. E baiano também. DNA – Responsável pela nossa preguiça e só. Mais do que suficiente.


ACM – Político mais “importante” da história da Bahia. Levou seu coronelismo às últimas conseqüências e não poupou esforços para tal. DNA: Responsável pela nossa desonestidade e poder de enganar multidões.


Jorge Amado – Escritor de mão cheia e talento inigualável. Escreveu para o mundo sobre becos, vielas, lugarejos e os mais decrépitos seres da Bahia. Soube como poucos também traduzir o “ser baiano”. DNA: Responsável pela nossa criatividade.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Monocultura

Eu tenho a sensação às vezes que Salvador é uma cidade tão atrasada e provinciana que nossas matrizes culturais ainda estão enraizadas no passado.Como se, culturalmente, nós só tivéssemos existidos em alguns momentos espaçados de toda nossa história.

Nosso cenário atual, portanto, é desanimador. Não estou aqui sendo burro ao criticar axé music/indústria do carnaval, que roda o mundo e leva o nome da Bahia. Mas a questão é mais profunda: não há uma cultura baiana verdadeiramente forte e que se sustente, assim como aconteceu em outras épocas. E isso é triste, eu confesso. No passado tínhamos Gregório de Matos e sua poesia satírica, levando com ele uma série de outros poetas que percorriam as ruas de Salvador e conviviam num ambiente cultural mais animador. Tivemos também Castro Alves, poeta de versos amplificados por todo o Brasil. Até no século passado fomos muito bem representados em diversas áreas, como pintura (Carybé), literatura (Jorge Amado e João Ubaldo, que escreve até hoje), música (Caetano e a trupe de Santo Amaro, etc etc) e até no cinema (Glauber Rocha).

Então, parece até um clichê, mas infelizmente é impossível fugir dele: vivemos numa monocultura, o que é uma coisa péssima, seja ela qual for.

Essa paralisia cultural me fez pensar nas “matrizes sócio-culturais” que permeiam nossa sociedade hoje. Cheguei a alguns nomes que formam a árvore genealógica do baiano. Posteriormente colocarei aqui, mas se tiver alguma dica ou sugestão, pode mandar.