
Eu não discuto votos. Se uma pessoa quiser e tiver convicção em votar em um determinado candidato, ótimo para ela. Vá em frente com seus princípios. O que me deixa consternado é que muita gente – e particularmente nessa eleição de Salvador – vota naquele que acha o “menos pior”. Aliás, esse termo já me dá asco e eu me recuso a escolher o “menos pior”. Que dita democracia é essa que nos dá apenas 2 opções ruins e pede: “ei, você aí. Escolha o menos pior”.
Muito me admira que nesse 26 de outubro a maioria das pessoas tenha votado com esse pensamento na cabeça. Nossa sociedade democrática (palmas para ela) acaba de escolher um cara tão ruim quanto o outro. Quer dizer, tecnicamente falando, não faz diferença alguma ter votado em um ou no ouro: são todos “ruins”. Estamos nos nivelando por baixo a cada pleito e ninguém faz nada por isso.
Pior de tudo (ou não, não sei mais o que é pior) é ser achincalhado e taxado de alienado por votar nulo. Eu voto nulo há duas eleições e não me arrependo em nada, muito pelo contrário, a cada eleição eu me convenço mais ainda de que o nulo é a solução. O nulo é um voto de protesto, um sinal de que nada do que vemos por aí está a contento. E não é pura e simplesmente birra de adolescente, mas sim um dispositivo democrático tão legítimo quanto votar no que mais me agrada.
E se o que mais me agrada é nada – e aí metade da população concorda comigo -, porque então escolher o “menos pior”? Alguma coisa está errada. Eu me recuso a me nivelar por baixo.


