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segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Voto de Cabresto (da democracia)



Eu não entendo as pessoas que insistem em votar no menos pior. Numa dita democracia, o pior que nos pode acontecer, contraditoriamente ao apregoado pela própria democracia, é não ter escolha. E os cidadãos, iludidos e cegos (desculpa Saramago por roubar sua definição), ainda acham que escolher entre dois ruins é democrático.

Eu não discuto votos. Se uma pessoa quiser e tiver convicção em votar em um determinado candidato, ótimo para ela. Vá em frente com seus princípios. O que me deixa consternado é que muita gente – e particularmente nessa eleição de Salvador – vota naquele que acha o “menos pior”. Aliás, esse termo já me dá asco e eu me recuso a escolher o “menos pior”. Que dita democracia é essa que nos dá apenas 2 opções ruins e pede: “ei, você aí. Escolha o menos pior”.

Muito me admira que nesse 26 de outubro a maioria das pessoas tenha votado com esse pensamento na cabeça. Nossa sociedade democrática (palmas para ela) acaba de escolher um cara tão ruim quanto o outro. Quer dizer, tecnicamente falando, não faz diferença alguma ter votado em um ou no ouro: são todos “ruins”. Estamos nos nivelando por baixo a cada pleito e ninguém faz nada por isso.

Pior de tudo (ou não, não sei mais o que é pior) é ser achincalhado e taxado de alienado por votar nulo. Eu voto nulo há duas eleições e não me arrependo em nada, muito pelo contrário, a cada eleição eu me convenço mais ainda de que o nulo é a solução. O nulo é um voto de protesto, um sinal de que nada do que vemos por aí está a contento. E não é pura e simplesmente birra de adolescente, mas sim um dispositivo democrático tão legítimo quanto votar no que mais me agrada.

E se o que mais me agrada é nada – e aí metade da população concorda comigo -, porque então escolher o “menos pior”? Alguma coisa está errada. Eu me recuso a me nivelar por baixo.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Segurança X Eleição: nulo neles!


Nada mais propício do que esse momento para falar desse assunto: segurança. E é chato pra caralho, eu sei, ninguém quer se preocupar com isso. As pessoas querem andar e sair tranquilamente. Eu sei, continua chato esse tema ser tratado aqui. Aliás, eu mesmo estou de saco cheio desse momento político – eu desafio alguém que não esteja.

A imagem que ilustra esse post é a capa do Correio da Bahia, de 2/10 desse ano. Bela capa, jornalisticamente falando. Só reflete uma sensação do povo em relação ao assunto: parece que todos temos em casa uma folhinha e vamos contando as mortes aos montes. Sem receio, é talvez a melhor capa do ano – e sem fazer sensacionalismo, ou chegar perto disso, como fez o A Tarde ao publicar a foto do policial (mesmo de longe) na maca do IML.

Saindo dessa ceara, em apenas um dia nós nos deparamos com manchetes alarmantes. Depois da morte do 27° policial em apenas 9 meses, Salvador entrou no noticiário com outros casos de assassinatos e mortes por arma de fogo. Aqui, cinco morreram na troca de tiros entre policiais e bandidos. Já aqui, na cidade de Tabocas, um atentado político feriu três. Mais: traficante morto pela polícia. E aqui, mais um jovem morto por causas indefinidas.

É apenas uma amostra no universo soteropolitano de tantas mortes. É um fato que, infelizmente, nenhum candidato tocou no último debate dos prefeituráveis. É uma pena.

E ainda querem que eu vote em alguém. Nulo neles.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Incautos vereadores

Com o horário político, as eleições começaram de vez; para o bem e para o mal de todos nós. Mas nem tudo é de todo ruim. Veja bem, numa ordem inversa às medalhas brasileiras em Pequim, nossa eleição 2008 é pródiga. É “ouro, meu rei”. As figuras pululam pelas ruas da cidade e não é difícil topar com um incauto (a) tentando virar vereador (a).

Vamos aos fatos: vereador é um cargo de extrema importância para o desenvolvimento de uma cidade, ainda mais uma cidade grande, uma metrópole. É como se fossem da equipe administrativa do prefeito, esse sim, o grande CEO do município. Ele deve ser mais do que qualificado; deve estar no topo da cadeia “empreguística”, com tudo que isso possa trazer de bom ou ruim. Isto é, o cara deve botar pra lenhar, pra ser mais exato (e baiano também).

Voltando aos vereadores... Essa categoria, portanto, não é menos importante que o prefeito. Mas vejam vocês, essa nossa democracia moderna gera muitas anomalias. Eu não consigo um emprego decente se não me formar e fizer algum curso extra, tem que ter experiência, falar inglês, saber um monte de computador... Mas vereador não. Democraticamente falando, é perfeito. Na prática, é inconsistente. Mas esse é outro papo.

O importante, depois desse blá blá blá, é dar risada. Então...

Leo Kret (não revela o nome original, mas ainda vou descobrir...), dançarina de pagode e transexual. Leia essa entrevista, se você ainda não acredita na bizarrice do personagem.

Robespierre - o político francês não morreu e está em Salvador

Rei Momo Gordo – estranho pleonasmo, mas em Salvador existe até Rei Momo magro.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Idéia maluca

Acabei de ter uma idéia. Estava dando minha passada diária pelos jornais de Salvador e, quando dei por conta, percebi as misérias que aconteceram na cidade ontem. E no fim de semana. E no mês que passou... E estamos com uma eleição, talvez a mais acirrada dos últimos pleitos, batendo à porta.

Pois bem. Eu serei louco suficiente para mandar e-mails para todos os candidatos. Mandarei perguntas pertinentes, muito longe daquelas baboseiras que a grande mídia fala. Serão questões pontuais e, claro, conto com a ajuda de quem quiser perguntar. Pode mandar.

Se eles vão responder? Quem sabe!? Ai já não é problema meu. Creio que final de agosto e começo de setembro seja bom para o envio. Talvez antes, já que eles devem tá ocupadíssimos e devem demorar pra responder (se é que vão...).

P.S.: só para ilustrar o que estou dizendo, leiam esse link (a primeira matéria). Pode parecer um problema menor, mas no fundo a causa dele é a mais importante de todas: desemprego.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Corrida eleitoral

Ah, eleições. Eleições na Bahia é uma coisa linda. No interior do Estado é uma festa de candidatos bizarros a procura de voto em troca de saco de farinha. E olhe que tem gente que cai. Não seria mais fácil ser malandro? Diz que vota mas não vota. Existe até aquela lenda de que o matuto tem que dizer ao candidato qual a cor da roupa que veste na foto da urna eletrônica. Mas ai também é fácil de burlar. É só digitar o número do cara, ver a foto, cancelar a opção e votar corretamente. Mas a gente é burro mesmo.

Em Salvador, já há alguns anos, é um festival de propaganda bizonha. E mesmo dos candidatos com chances de se eleger. Baixaria, então, esse ano podemos esperar muita. Quem tem João Henrique, Imbassahy e Varela como candidatos pode começar a chorar. Esse último, utilizando-se do seu programa não menos bizarro na TV, atirou a primeira pedra essa semana: mostrou no ar uma mulher que diz ter sofrido preconceito racial de uma irmã de Imbassahy. Lindo. Os factóides começam a ser criados, mudanças de partido articuladas e tudo continua como dantes no quartel de Abrantes. Pelo menos para nós, fudidos da população.