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quinta-feira, 15 de maio de 2008

Ostracismo

Contar a história recente de Salvador é bem bacana. O ano-a-ano soteropolitano é sempre igual. Os acontecimentos, as brigas, as eleições, a cultura, o povo, o futebol, o centro, a prostituição, a alegria, o carnaval, a chuva... É tudo a mesma coisa todo ano, mas porque todo ano todos nós ficamos surpresos?
Todo ano chove. E muito. Quando digo muito é no sentido de qualidade e não quantidade. Normalmente no começo do ano é sol o dia todo, mas num dia perdido de janeiro, o tempo vira e a chuva destrói tudo, leva barracos, alaga ruas, deixa o povo sem trabalhar. E mais ou menos entre março e maio é o mesmo cenário de caos, só que alguns dias a mais. É exatamente igual todos os anos, pelo menos desde que nasci.
E todo ano tem greve dos motoristas de ônibus. Senão deles, tem paralisação pelo aumento da tarifa. O transporte, que é um caos, deixa as ruas povoadas pelo acaso. Agora mesmo teremos mais uma.
Todo ano tem uns bares da moda que bombam até dizer chega e outros tantos que fecham as portas depois de anos bombando até dizer chega. As mesmas pessoas freqüentam os mesmo locais.
Todo ano o teatro baiano se ressente de novas produções e investimentos. E assim também o rock, o cinema e a cultura toda.
Todo ano a imprensa baiana ganha mais uns retardados e inoperantes jornalistas. E o panorama da mídia local se mantém acanhada e sem prestígio.
Todo ano o carnaval é a maior festa popular do mundo que atrai os (mesmos) mais de 1 milhão de turistas ao redor do globo. É alegria, festa, axé, putaria e muita cerveja. E tem lá seus reis e rainhas, músicas do ano e o escambal. Tudo igual.
E todo ano tem um chato que reclama e outros tantos mandando ele se fuder.