segunda-feira, 30 de junho de 2008
Diálogos do Cotidiano – Que dia é hoje?
- Hm... Não.
- Desculpe. Deixa eu me apresentar. Sou Marcos, voluntário do Grupo de Apoio do...
- Ei amigo. Tô zerado. Tenho nada pra dar não
- Deixe pelo menos conhecer nosso trabalho. Somos o Grupo de Apoio aos Gays, que vem ao longo dos anos reparando várias injustiças que...
- Apoio? Pra quê gays precisam de apoio? Eu tenho um emprego fudido numa empresa fudida. Tem algum grupo de apoio pra isso?!
- Catho, Manager Online, Simm...
- Tudo merda. Essas empresas só sugam o dinheiro dos otários e esses programas do governo só servem pra angariar votos. Pura besteira.
- Pode até ser, mas o nosso Grupo de Apoio aos Gays vem realizando um trabalho belíssimo no que tange ao preconceito das pessoas com os homossexuais. Sabe quantos gays foram vítimas de violência nos últimos 3 anos? É mais de...
- Vem cá... Você vive disso é? De abordar as pessoas em pleno ponto de ônibus pra arrecadar fundos? Porra!
- Sou advogado e faço trabalho voluntário.
- Logo vi...
- É? E porque?
- Esse seu vocabulariozinho: “no que tange ao preconceito” Ai ai...
- Você está sendo preconceituoso
- É? Então chama o Grupo de Apoio aos Advogados. Tem?
- Sim. OAB
- Pronto... Maior antro de ladrões desse país. Lá mesmo
- Está sendo novamente preconceituoso. Sabia que isso é crime?
- Crime é esse buzú ai ó... Pelo amor de Deus. Como é que entra numa porra dessa?
- Puta que pariu! Ai não entra nem uma mosca. É seu ônibus?
- ERA meu ônibus. Agora vou esperar o das 23h. Tô fudido. Tarde pra caralho, sem ninguém no ponto...
- Tem eu
- Pois é. Tarde pra caralho, um viado no ponto...
- Posso te dar carona se quiser. Meu carro tá logo ali
- E vai me levar pra onde? Pra sede do Grupo de Apoio aos Gays? Tô fora.
- Se você quiser, a essa hora tá rolando uma festa eletrônica muito boa.
- E é? Porra, sou fã de música eletrônica. Tá rolando house?
- Progressive e Acid. Vamos.
- Beleza. Vamo nessa. Eu só espero que você não minta igual a todos os advogados
- Vai ter que pagar pra ver
- A essa altura do campeonato o que vier é lucro. A propósito, que dia é hoje?
- Seu dia de sorte
quinta-feira, 19 de junho de 2008
Transporte público
Mas peraê. Se é tão difícil manter o transporte público em Salvador – como o sindicato das empresas propaga por ai, já que todo ano quer aumentar abusivamente o valor da passagem usando esse argumento -, porque existem tantas empresas de ônibus? Já parou para contar quantas empresas existem? Eu já.
E obviamente não consegui chegar a um consenso. Contando na rua, no dedo, eu cheguei ao incrível número de 8; isso numa parada na sinaleira do jornal A Tarde. Mas, para chegar a um número mais concreto, acessei o site Seu Transporte, da prefeitura. Lá estão cadastradas 18 empresas. Em Porto Alegre, por exemplo, existem apenas quatro. Situação mais absurda, se é para rirmos de alguém, é a de Belo Horizonte, que sustenta uma rede de inacreditáveis 50 empresas, enquanto São Paulo, de população 4x maior, tem 54. Recife, 16. Rio de Janeiro? 47. Mas ainda estamos mal, mesmo à frente de outras cidades. Deve ser um negócio extremamente lucrativo. Tá ai: se eu tivesse dinheiro eu investiria nisso. E num motel na região rio vermelho/barra/graça.
Ah, e não temos metrô. Mas nisso eu não investiria.
segunda-feira, 14 de abril de 2008
Holding de Ambulantes
- Um bom dia a todos, amigos queridos...
(já começou mal. Amigo de quem, porra?)
- Eu podia estar roubando, eu podia estar matando, mas não senhores. Não! Graças ao apoio do Grupo de Apoio a Drogados-num-sei-das-quantas minha vida mudou e muito. Você quer ajudar pessoas como eu a sair desse mundo? Pois é meus caros...
(Esse lenga-lenga todo pra vender umas canetinhas Bic que se compra em qualquer budega)
- Essa caneta Bic é revolucionária! Ela tem um clic automático e um incrível suporte para bolso! Em questão de...
(PQP! Clic e suporte revolucionários? Esse cara saiu do mundo das drogas para o mundo dos vendedores mentirosos)
- ...de segundos você estará escrevendo com essa belíssima caneta, que deixa a sua escrita cada vez mais bontia. Pode experimentar, pessoal. É muito boa. E custa apenas R$ 2! E três por R$ 5, hein...
Alguns idiotas compraram, achando que com isso estariam fazendo suas boas ações do dia. Vão chegar no trabalho e largar em qualquer canto da repartição.
Chegamos, então, a um ponto sujo qualquer da orla. Enquanto o ex-dependente está colhendo a grana do pessoal, outro ambulante (também devidamente trajando o uniforme do sindicato) entra no buzú. Estava vendendo balinhas mágicas de hortelã e parece que ficou meio constrangido. Afinal, estaria roubando a clientela do outro, ou algo parecido. Mas, como atendiam a demandas diferentes, ele resolveu apostar.
- Essas são as mais novas balinhas de hortelã. Quem compra garante. Quem compra aprova. É bom pra gripe, resfriado, dor de garganta, gastrite, enjôo e sinusite. Cada saquinho vem com 5 balinhas para seu deleite...
(Caralho, outro mentiroso não! Esse sindicato é um antro, na moral)
- ...E custam apenas R$1 cada saquinho. É bom, é bom, muito bom!
Engraçado. Enquanto o primeiro terminava seu recolhimento de dinheiro, esse das balinhas agonizava no meio do buzú esperando que os passageiros comprassem ao menos um saquinho. Eu simplesmente virei a cara pra apreciar as praias sujas de Salvador. Ouvi isso quando os dois enfim saíram do ônibus:
- Porra man, foi mal ai. Entrei no carro quando você tava lá dentro.
- É nenhuma, rei. Na paz. E aquela cerveja?
sábado, 5 de abril de 2008
No buzú
Estava voltando mais um dia do trabalho, num puto cansaço e, portanto, sem a mínima vontade de fazer o percurso andando. Seriam 15 minutos na paleta, mas preferi pegar o buzu, gastar o crédito do salvador card e gastar apenas 5 minutos. Quando entrei no transporte e empunhei meu cartão, a máquina acusou: “R$0 de crédito”.
- Ahn!? Essa porra tinha crédito
- É... Tem mais não – disse o cobra
- Oxe... Agora é que foi. Vou ver se tenho dinheiro aqui.
Isso o buzú já tinha andado e milagrosamente achei R$10 na carteira. Entreguei.
- Tem troco não.
- Como assim?
- Tem troco não, man.
- Porra véi... Só tenho esse ai.
- Mas num tem troco. Posso fazer nada.
- Pode sim. Você tem que ter troco, né possível.
- Tem não, ó! Tá vendo que aqui num tem porra nenhuma.
- Claro! Mas vocês são obrigados a ter troco até no máximo R$10, ta dizendo ai nesse adesivo no vidro.
(lá vai eu tentar ser moralista e defensor dos direitos humanos)
- Anh!? Esse aqui?
- É, esse mesmo.
- Rapaz... Tá ai mas num tem troco.
- Porra... E ai, como é que faz? Quero chegar em casa e tô com a grana pra pagar.
- Pois é... Sabe quem colocou esse adesivo ai?
- Sei lá!
- Nem eu! A parada tá ai mas a lei é essa aqui e não tem troco.
- Então tá. Vou ficar aqui e saltar do buzú sem pagar.
- Por mim...
Ai o coletivo chegou no meu ponto e eu saltei sem pagar. Na saída, vi uma mulher entrando no buzú com a carteira aberta e puxando uma nota de R$10, pronta para fazer o pagamento ao nobre cobrador.



