Sentado nesse banco de madeira eu vejo muita gente. A maioria eu até conheço, mas poucos falam comigo. O pessoal do terminal passa geralmente muito rápido, muito mais preocupados com o que vão encontrar do outro lado. Na verdade, sempre sabem; e esse é o problema.
Eu vendo coxinhas e outros salgados no terminal. Suco. Tem suco também, mas sempre tem uns desavisados que perguntam se tem refrigerante. Não, não tem refrigerante. Os sucos dependem da estação, mas também tem sempre uns desavisados que perguntam pelos sucos mais absurdos possíveis. Não vendo isso. Eu vendo esses salgados gordurosos que tapam o buraco do estômago de estranhos em busca de refeições para saciar de verdade a fome.
Daqui eu vejo muitos passarem. Tem a Luzia, uma lavadeira negra e forte que cruza o mar todo dia para lavar roupa na cidade alta. Primeiro ela pega o Ferry Boat* em Vera Cruz, passa 40 minutos chacoalhando no mar, salta aqui no terminal, anda mais uns 15 minutos, sobe o Elevador Lacerda, anda mais uns 40 minutos e chega ao local de trabalho. A volta é o caminho inverso, exaustivo, mas ela sempre tem tempo de passar por aqui na lanchonete e comprar uma carteira de cigarro. Eu acho que ela fuma uma carteira por dia. É muito.
Muito mesmo é o número de sacolas que Geraldo traz semanalmente nas mãos. É impossível precisar quantas, já que elas se amontoam de uma maneira incrível e se misturam num balé mambembe. Ele distribui algumas para os camelôs do terminal e segue viagem em direção à ilha, qual eu não sei. Segue sempre com um sorriso no rosto, a camisa aberta no peito e dezenas de santinhos pendurados. Eu acho que ele é um homem de fé, como se dizem.
É engraçado que Memé não deixa de vir aqui pelo menos uma vez na semana. Roda o terminal todo, analisa cada vendedor, cada segurança... E roda mais um pouco. Depois de horas nesse ciclo, ele senta do lado de alguém vendendo café e toma um atrás do outro. Fala de trivialidades cotidianas e carros. Pela aparência, parece que nunca entrou num carro, mas fala deles com uma propriedade magnífica. Um dia até eu fiquei ouvindo ele comparar os carros antigos com os de hoje, potência de motor, arrancada, freios e tudo mais. Eu acho que ele lê revistas do gênero.
O balaio de gêneros é grande por aqui. Vejo sempre travestis e outras figuras andróginas em busca de gringos, e isso acontece muito no verão. Cruzam mais do lado de lá da ilha, vindo cá para Salvador sedentos por sexo. Artur – creio que seja o nome dele – é um deles. Faz todo o caminho se rebolando e chega até enganar alguns homens desavisados. É realmente bonita, artisticamente falando. Uma vez parou aqui e comprou duas coxinhas, um quibe e dois copos de suco. Devorou tudo em menos de 5 minutos, numa voracidade só comparada aos homens do cais. Eu acho que esse é o único lado masculino dela.
Os homens do cais, aliás, são muitos. Eles vêm e vão, se misturam na multidão que na maioria das vezes não dá nem para diferenciar. São altos e fortes, obviamente, mas nenhum comparado ao negro Alemão, apelido ganho num trocadilho com a sua cor. Come geralmente três coxinhas, arrota, cospe no chão e puxa o cigarro. Depois de acender, olha para os lados e chama alguma mulher de gostosa. Eu só acompanho com os olhos o ritual do rapaz, que sempre se esquece do suco. Eu aviso, mas ele diz: “põe na conta. Um dia eu vou cobrar, categoria”. Eu acho mesmo que um dia ele vem cobrar.
A sexta-feira é o dia mais cheio. À noite, sempre por volta das 19h, eu sempre avisto Verdade. Ele é alto, mas tão alto que tem pernas descomunais de tão grande, o contrário da mentira, que tem pernas curtas. Sempre apressado, Verdade carrega uma sacola na mão e um ramalhete de flores na outra. Olhando de longe, ele faz o tipo marido modelo, mas já ouvi histórias das mais cabeludas a respeito dele. Dizem que as flores são para mulheres diferentes, que ele tenta agradar num bordel em Itaparica. Outros dizem que é para a esposa, que fica na ilha enquanto ele trabalha em Salvador durante a semana. Eu acho mesmo que Verdade deve fazer jus ao seu nome.
Nome mesmo de grande valor e peso na Bahia tem um velho gordo e de bigode que passa por aqui em muitos fins de semana do ano. O ritual dele é sempre parar na frente do terminal e tomar uma cerveja, enquanto fala ao celular. Depois, entra no terminal com sua maleta e uma sacola, balançando para lá e para cá, arreia os fardos no chão e pede um risole de camarão. Se ele soubesse de onde vem esse camarão, duvido que voltasse a comer. Nem eu sei. Eu escolho o mais velho e borrachudo, mas o velho gordo nunca reclama. Deve ter dor de barriga todo fim de semana, mas duvido que descubra que é devido ao camarão estragado. Ele come demais. Além daqui, ainda vai no crepe de Dona Maria e no churros de Seu Evaldo. Eu acho que no caminho ainda come um pouco mais.
E lá de longe eu vejo um navio grande apitar. Nessa época do ano, em janeiro, alguns cruzeiros internacionais cruzam mares e ondas mundo afora e aportam aqui. Alguns são corriqueiros, como esse que acabo de ver aportar perto daqui. É azul. O mesmo de todos os anos. Nele a minha esperança.
Sentado nesse banco de madeira eu vejo muita gente. Eu vejo na minha mente, porque sou cego. No navio que chega agora, eu deposito minhas esperanças de rever uma amiga linda e de olhos verdes. Só ela me entende; é surda.
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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Amor de Itaparica
O bairro do Tororó era a guarida durante 10 meses do ano. Para a família Oliveira, aquele período era igual ao de muitos outros soteropolitanos: chato e corrido, sempre à espera das férias. O que sobrou do ano, sim, era um período excitante. Todos iam passar as férias na ilha de Itaparica.
Joel era o mais danado. Desde que se entende por gente o menino corre solto pelas ruas e praias da ilha. Não parava quieto. Arminda, mãe dele e de mais quatro garotos, desdobrava-se em mil para conseguir segurá-lo. Hoje, com 19 anos, Joel nem se lembra das peripécias do passado, e só quer saber mesmo das meninas. Para ele, não interessa a idade ou a procedência. Nessas últimas férias o problema foi grande.
A questão toda era reencontrar todas aquelas garotas que ele já havia levado para trás da Barraca de Bigode, um barraqueiro boa praça que cedia os fundos do seu estabelecimento para as aventuras sexuais dos garotos. Dizem uns que o coroa era tarado e ficava espiando de longe, mas isso pouco importava para Joel. Negro, alto e dono de famoso dote sexual, ele não se contentava com pouco. E até por isso muitas garotas corriam atrás dele, mesmo parte delas com medo do volume por debaixo de sua calça.
O reencontro naquele ano foi tranqüilo até, e poucas foram as que vieram correndo atrás dele. Joelma foi uma delas. Dona de inigualáveis seios e ancas enormes, ela fazia parte do rol daquelas mulheres de encher um copo inteiro, chegando até derramar algumas gotas, logo sorvidas por lábios apressados. Joel adorava traçar Joelma; era um negócio tremendo, quando os dois transavam a lua se escondia de tanta vergonha. Os dois ferviam. Até hoje a barraca de Bigode ostenta um amassão na parte traseira; ninguém se arrisca a confirmar nada.
Tânia é outra. Moradora de Itinga, também passa todas as férias na ilha. Joel se desdobra pra agradar ela também, que é adepta do sexo seguro. O rapaz não curte muito não, mas é só ela juntar seu corpo contra o dele, para o garoto subir num tesão estrondoso. Ela, magrinha, sucumbi ao porte atlético dele. O vai e vem deles já fez gatos e cachorros de platéia.
Porém, a grande paixão de Joel é Aninha, justamente uma menina que ele nunca transou, sequer beijou. No verão de 2005 chegou perto, quando ela ficou bêbada numa festa regada a cerveja quente e pagode, mas acabou mesmo pegando a irmã dela. Muda a coitadinha, gemeu tanto naquela noite, que amanheceu falando. Milagre que ninguém sabe a procedência e que ela, também, não quis contar. Então Aninha faz jogo duro até hoje. Sua irmã muda, Glorinha, insiste até não poder mais, achando que o sexo do rapaz pode curar a gagueira dela. Joel não sabe disso.
Nesses anos todos, ele nem teve chance de saber. Aninha tem um corpo escultural: seios perfeitos, suficientes para encher a mão sem tirar nem pôr, bunda proeminente, barriga correta e carinha de anjo. Talvez uma das últimas almas femininas de Itaparica que ele não tenha traçado. Essa era a meta para aquelas férias. Mas Aninha, como sempre, calada e tímida passeava sempre com a irmã a tira colo. É verdade que na primeira noite, descontente com um fora dela, Joel tenha ido para a barraquinha acompanhado de Selma, coroa boazuda de Paripe. Comeu e amanheceu com mais sede de Aninha.
A garota era esperta. Queria muito estar suando junto com Joel, num vai e vem intenso de pernas e coxas. Mas o jogo dela era outro. Como era gaga, dificilmente teria novamente o rapaz em suas mãos, isto é, depois da primeira foda, ele ia sair fora. Então a onda era ser difícil, e foi o que ela fez o tempo todo.
Toda noite a praça de Itaparica se enchia de garotos da classe média soteropolitana, com seus carros novos com o som tampando a mala. O lado pobre da ilha não se intimidava e pegava o bonde andando mesmo. Sem gastar um tostão. Joel sempre pegava uma ou outra patricinha, mas eram fracas em relação a Joelma ou Tânia. Nessas noites ele investia em Aninha, mas quase sempre sem sucesso. Quase.
Na última noite, dia de uma festa fechada com muito pagode e clima efervescente, Joel partiu para o ataque soviético: encostou Aninha na parede e puxou-lhe pela bunda. A garota urrou de desejo, mas mesmo assim ainda tentou dar uma de difícil. Porém, entregou-se, não sem antes se encher de coquetel molotov, uma bebida inventada ali mesmo na ilha e que poucos sabiam a real procedência. Até o destino final, a barraca de Bigode, Aninha descarrilhou a falar, mas em nenhum momento gaguejou. Joel estava bêbado também e pouco entendeu.
A manhã seguinte foi de despedidas. Era o domingo derradeiro, o último dia das férias de todos. O Ferry Boat estava lotado como sempre e Joel atrasado. Chegou em casa junto com os primeiros raios de sol e só conseguiu acordar quase 18h. O sorriso em seu rosto era brilhante. Enfim sua meta tinha sido alcançada e de uma maneira memorável. Talvez aquela noite tenha sido a melhor de todas para ele. Os dois juntos amassaram em mais um ponto a barraca de Bigode, juntaram cães e gatos ao redor, fizeram da lua uma mera coadjuvante da noite e chegaram a um novo nível da palavra ‘sexo’.
Aninha, por sua vez, acordou cedo. Curada da ressaca, chegou à mesa do café tranquilamente e conversou sobre todos os assuntos com a família. Mais uma vez, ninguém entendeu nada, já que a menina não mais gaguejava. A única que sorriu com o canto da boca foi Glorinha, que já pensava em inventar algum distúrbio para ser curada dali a um ano.
Joel era o mais danado. Desde que se entende por gente o menino corre solto pelas ruas e praias da ilha. Não parava quieto. Arminda, mãe dele e de mais quatro garotos, desdobrava-se em mil para conseguir segurá-lo. Hoje, com 19 anos, Joel nem se lembra das peripécias do passado, e só quer saber mesmo das meninas. Para ele, não interessa a idade ou a procedência. Nessas últimas férias o problema foi grande.
A questão toda era reencontrar todas aquelas garotas que ele já havia levado para trás da Barraca de Bigode, um barraqueiro boa praça que cedia os fundos do seu estabelecimento para as aventuras sexuais dos garotos. Dizem uns que o coroa era tarado e ficava espiando de longe, mas isso pouco importava para Joel. Negro, alto e dono de famoso dote sexual, ele não se contentava com pouco. E até por isso muitas garotas corriam atrás dele, mesmo parte delas com medo do volume por debaixo de sua calça.
O reencontro naquele ano foi tranqüilo até, e poucas foram as que vieram correndo atrás dele. Joelma foi uma delas. Dona de inigualáveis seios e ancas enormes, ela fazia parte do rol daquelas mulheres de encher um copo inteiro, chegando até derramar algumas gotas, logo sorvidas por lábios apressados. Joel adorava traçar Joelma; era um negócio tremendo, quando os dois transavam a lua se escondia de tanta vergonha. Os dois ferviam. Até hoje a barraca de Bigode ostenta um amassão na parte traseira; ninguém se arrisca a confirmar nada.
Tânia é outra. Moradora de Itinga, também passa todas as férias na ilha. Joel se desdobra pra agradar ela também, que é adepta do sexo seguro. O rapaz não curte muito não, mas é só ela juntar seu corpo contra o dele, para o garoto subir num tesão estrondoso. Ela, magrinha, sucumbi ao porte atlético dele. O vai e vem deles já fez gatos e cachorros de platéia.
Porém, a grande paixão de Joel é Aninha, justamente uma menina que ele nunca transou, sequer beijou. No verão de 2005 chegou perto, quando ela ficou bêbada numa festa regada a cerveja quente e pagode, mas acabou mesmo pegando a irmã dela. Muda a coitadinha, gemeu tanto naquela noite, que amanheceu falando. Milagre que ninguém sabe a procedência e que ela, também, não quis contar. Então Aninha faz jogo duro até hoje. Sua irmã muda, Glorinha, insiste até não poder mais, achando que o sexo do rapaz pode curar a gagueira dela. Joel não sabe disso.
Nesses anos todos, ele nem teve chance de saber. Aninha tem um corpo escultural: seios perfeitos, suficientes para encher a mão sem tirar nem pôr, bunda proeminente, barriga correta e carinha de anjo. Talvez uma das últimas almas femininas de Itaparica que ele não tenha traçado. Essa era a meta para aquelas férias. Mas Aninha, como sempre, calada e tímida passeava sempre com a irmã a tira colo. É verdade que na primeira noite, descontente com um fora dela, Joel tenha ido para a barraquinha acompanhado de Selma, coroa boazuda de Paripe. Comeu e amanheceu com mais sede de Aninha.
A garota era esperta. Queria muito estar suando junto com Joel, num vai e vem intenso de pernas e coxas. Mas o jogo dela era outro. Como era gaga, dificilmente teria novamente o rapaz em suas mãos, isto é, depois da primeira foda, ele ia sair fora. Então a onda era ser difícil, e foi o que ela fez o tempo todo.
Toda noite a praça de Itaparica se enchia de garotos da classe média soteropolitana, com seus carros novos com o som tampando a mala. O lado pobre da ilha não se intimidava e pegava o bonde andando mesmo. Sem gastar um tostão. Joel sempre pegava uma ou outra patricinha, mas eram fracas em relação a Joelma ou Tânia. Nessas noites ele investia em Aninha, mas quase sempre sem sucesso. Quase.
Na última noite, dia de uma festa fechada com muito pagode e clima efervescente, Joel partiu para o ataque soviético: encostou Aninha na parede e puxou-lhe pela bunda. A garota urrou de desejo, mas mesmo assim ainda tentou dar uma de difícil. Porém, entregou-se, não sem antes se encher de coquetel molotov, uma bebida inventada ali mesmo na ilha e que poucos sabiam a real procedência. Até o destino final, a barraca de Bigode, Aninha descarrilhou a falar, mas em nenhum momento gaguejou. Joel estava bêbado também e pouco entendeu.
A manhã seguinte foi de despedidas. Era o domingo derradeiro, o último dia das férias de todos. O Ferry Boat estava lotado como sempre e Joel atrasado. Chegou em casa junto com os primeiros raios de sol e só conseguiu acordar quase 18h. O sorriso em seu rosto era brilhante. Enfim sua meta tinha sido alcançada e de uma maneira memorável. Talvez aquela noite tenha sido a melhor de todas para ele. Os dois juntos amassaram em mais um ponto a barraca de Bigode, juntaram cães e gatos ao redor, fizeram da lua uma mera coadjuvante da noite e chegaram a um novo nível da palavra ‘sexo’.
Aninha, por sua vez, acordou cedo. Curada da ressaca, chegou à mesa do café tranquilamente e conversou sobre todos os assuntos com a família. Mais uma vez, ninguém entendeu nada, já que a menina não mais gaguejava. A única que sorriu com o canto da boca foi Glorinha, que já pensava em inventar algum distúrbio para ser curada dali a um ano.
quinta-feira, 26 de junho de 2008
Querendo ser grande
Já há alguns anos fala-se na possibilidade de mudança do sistema de transporte Salvador-Ilha. Noticiaram até a construção de uma ponte, o que seria bastante interessante, mas até hoje nosso sistema é fraco. A travessia é um martírio mesmo para quem vai de carro. É normal filas de 5 ou 6 horas.
Eu nem deveria falar do metrô, que desde 2000 está em obras e nunca termina. Parece aquele colega (que todos que fazem ou já fizeram faculdade conhecem) que passa anos na universidade e, de tantas matérias perdidas ou trancadas, passa décadas por lá. Nosso metrô pode ser jubilado.
O Comércio também é um ponto que nosso queridíssimo prefeito está querendo revitalizar. O luxuosíssimo Hotel Hilton parece mesmo que agora vai ser instalado por lá. Mesmo burlando o PDDU e seus impedimentos, a “vontade” política atuou para que a construção fosse levada adiante.
Nossa gloriosa orla marítima é um verdadeiro martírio. Não temos calçadas decentes, nem praias limpas e nem muito menos barracas. Sim, porque na nossa cultura praiana a barraca é importantíssima. No Rio não é. O baiano vai a praia para passar o dia, comer pititinga, acarajé e queijo coalho e, principalmente, para beber. Sem barracas fica difícil, o que o prefeito vem tentando (em vão) dar um jeito.
Mas o que eu quero falando de Itaparica, metrô, hotel luxuoso e orla? Os três têm em comum uma necessidade grande de crescimento da cidade – importante do ponto de vista econômico e social -, mas que por falta de vontade política, nunca saem do papel. Ou saem, mas nunca são concluídos. E só são levados à frente por motivações que o povo, o maior interessado no assunto, não entende. Terra de ninguém.
Eu nem deveria falar do metrô, que desde 2000 está em obras e nunca termina. Parece aquele colega (que todos que fazem ou já fizeram faculdade conhecem) que passa anos na universidade e, de tantas matérias perdidas ou trancadas, passa décadas por lá. Nosso metrô pode ser jubilado.
O Comércio também é um ponto que nosso queridíssimo prefeito está querendo revitalizar. O luxuosíssimo Hotel Hilton parece mesmo que agora vai ser instalado por lá. Mesmo burlando o PDDU e seus impedimentos, a “vontade” política atuou para que a construção fosse levada adiante.
Nossa gloriosa orla marítima é um verdadeiro martírio. Não temos calçadas decentes, nem praias limpas e nem muito menos barracas. Sim, porque na nossa cultura praiana a barraca é importantíssima. No Rio não é. O baiano vai a praia para passar o dia, comer pititinga, acarajé e queijo coalho e, principalmente, para beber. Sem barracas fica difícil, o que o prefeito vem tentando (em vão) dar um jeito.
Mas o que eu quero falando de Itaparica, metrô, hotel luxuoso e orla? Os três têm em comum uma necessidade grande de crescimento da cidade – importante do ponto de vista econômico e social -, mas que por falta de vontade política, nunca saem do papel. Ou saem, mas nunca são concluídos. E só são levados à frente por motivações que o povo, o maior interessado no assunto, não entende. Terra de ninguém.
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