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sexta-feira, 23 de maio de 2008

A verdadeira história da descoberta da América

Um índio baiano descansava em paz numa bela rede a beira-mar. É quando avista de longe um ser diferente, cheio de roupa e falando com um sotaque estranho. Era Cristóvão Colombo.

- Olá seu índio, tudo bem?
- Rapaz... Bem bem num tá não, mas vamo indo né!?
- Ah, tá... Somos de Portugal, um país beeeem distante desse lugar aqui. Viemos a procura de riqueza e um bom local pra descansar. Será que vocês...
- É o seguinte, gringo: você chegou numa hora errada. Tamo de recesso porque é carnaval, é fevereiro. Então não vai ser possível fazer porra nenhuma.
- Mas é que nossa intenção não é prejudicar nada, senhor...
- Eu sei, eu sei... É sempre assim. Um tal de Vasco da Gama veio aqui e falou a mesma coisa. E aquele Fernão Dias também e...
- Eles estiveram aqui? Ó Deus, não somos os primeiros!
- Nem se preocupe por que já se picaram.
- Ah, bom... Creio que sua terra é bastante valiosa e seria muito útil se nós nos instalarmos aqui para criar uma belíssima civilização. Aliás, como vocês chamam esse lugar?
- Bahia
- Que belo nome! E porque?
- Porra mermão, tu tá querendo saber demais... Eu sei lá! Quando se viu já era esse nome.
-Entendo... Mas, e seu governante, quem manda aqui?
- Tem um cara ali em cima ó... Ali em cima daquele morro. Ele dá as ordens, mas nem todo mundo cumpre não.
- Quem?
- O de cabeça branca. É de uma família bem rica. Vive pela rua dizendo que ama a Bahia e que faz e acontece.
- Bem... Eu preciso falar com ele.
- Ó... Já vou logo lhe dando a idéia: se quer derrubar o sacana pode entrar na fila. Aquele grupo ali ó, na beira do cais, tá tramando há anos. O nome deles é Pêtê, de uma tribo forasteira.
- E eles querem acabar com a hegemonia do seu chefe?
- É, mas num sei não... Eu mermo vou ficar por aqui de butuca, só na manha... Vamo ver o que acontece.
- Você num vai ajudá-los?
- Rapaz... Eu mermo não. Se tu quiser esperar comigo vai rolar um caruru daqui a pouco aqui no mercado em frente ao cais.
- Caruru?
- É... É uma comida típica. Tu sabe a quiabada? Pronto. É a evolução dessa porra.
- Interessante, mas... Eu estou interessado mesmo nessa terra. Eu queria...
- Véi... Puxa ai o banco, se ajeita que o caruru já vem. Enquanto isso, vamo tomar uma cerveja e curtir um som. Sabe tocar algum instrumento?
- Mas é claro! Oboé, Tuba...
- Porra, man... Toma esse bongô ai e vamo nessa... Ô Maluquinho, misera... Puxa o som aê...

Alguns anos depois, Cristóvão Colombo conseguiu enfim chegar à América, seguindo uma corrente marítima que só os índios baianos conheciam. E essa é a verdadeira história da descoberta da América.