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segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Morre um pedaço da Bahia: Dorival Caymmi

Uma pena para a Bahia, uma pena para o Brasil. Dorival Caymmi é uma figura importantíssima para a Bahia e seu povo, mesmo que este não tem noção da sua contribuição cultural. Já brinquei várias vezes com a figura de Dori aqui no blog – do fato dele cantar a preguiça do povo baiano e sobre as pessoas que só lembram das mesmas músicas dele -, mas nunca podemos deixar de notar sua validade cultural.

Sem Jorge e agora sem Dori, a cultura baiana sucumbe aos novos tempos. Quer dizer, culturalmente falando, estamos ainda bastante enraizados no passado. A turma tropicalista fez muito bem sua parte, dando continuidade numa crescente artística importante para o Estado a partir do século passado, que teve uma seqüência forte com Jorge Amado, Dorival Caymmi, João Gilberto, a turma tropicalista, Glauber Rocha e Raul Seixas. Criou uma tradição cultural e social forte que, a partir dos anos 80, não foi seguida.


Estamos carentes, isso é fato.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Monocultura

Eu tenho a sensação às vezes que Salvador é uma cidade tão atrasada e provinciana que nossas matrizes culturais ainda estão enraizadas no passado.Como se, culturalmente, nós só tivéssemos existidos em alguns momentos espaçados de toda nossa história.

Nosso cenário atual, portanto, é desanimador. Não estou aqui sendo burro ao criticar axé music/indústria do carnaval, que roda o mundo e leva o nome da Bahia. Mas a questão é mais profunda: não há uma cultura baiana verdadeiramente forte e que se sustente, assim como aconteceu em outras épocas. E isso é triste, eu confesso. No passado tínhamos Gregório de Matos e sua poesia satírica, levando com ele uma série de outros poetas que percorriam as ruas de Salvador e conviviam num ambiente cultural mais animador. Tivemos também Castro Alves, poeta de versos amplificados por todo o Brasil. Até no século passado fomos muito bem representados em diversas áreas, como pintura (Carybé), literatura (Jorge Amado e João Ubaldo, que escreve até hoje), música (Caetano e a trupe de Santo Amaro, etc etc) e até no cinema (Glauber Rocha).

Então, parece até um clichê, mas infelizmente é impossível fugir dele: vivemos numa monocultura, o que é uma coisa péssima, seja ela qual for.

Essa paralisia cultural me fez pensar nas “matrizes sócio-culturais” que permeiam nossa sociedade hoje. Cheguei a alguns nomes que formam a árvore genealógica do baiano. Posteriormente colocarei aqui, mas se tiver alguma dica ou sugestão, pode mandar.