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segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Diálogos do Cotidiano – Tara

- ...E aí ela me deu um drops de anis.
- Só isso? Você se contenta com uma porra de um drops de anis?
- É, cara... Já é alguma coisa. É um negócio meio Rita Lee, meio recatado...
- Que não dá em nada, diga-se de passagem. Se fosse eu passava logo a mão na bunda.
- Aí que não ia adiantar nada. Ela é quieta, rapaz. Eu já lhe disse: a família é toda católica, daquelas de freqüentar igreja e tudo mais. Tem que ir com calma.
- Porra, man... Eu tenho um tesão de transar na igreja. Num sei o que é.
- Pedófilo descarado. Eu aqui falando de uma coisa séria e você com essa de “comer mulher na igreja”. Tome vergonha!
- Pronto. A mulherzinha de terninho branco, tailler e as porra toda já fez a cabeça do cara. Pelo amor de Deus! Você mal conhece ela, vê lá o que tá fazendo.
- Eu tô fazendo o certo. Comendo pelas beiradas pra chegar no meio e pegar a melhor parte. Veja você com Silvinha. Foi todo afobado e acabou no 5 contra 1. Bela tática.
- É diferente. Silvinha é uma safada que só pensar em ir pra praia e abusar dos homens com hormônios aflorados, como eu. Não dá pra ninguém.
- Tem certeza?
- Claro. Já vi outros casos aqui na praia. O cara chega novo, pagando de surfista, e ela pula logo em cima com um papo de naturalismo, vegetarianismo e um monte de “ismo” chato pra caralho. E a carinha sempre de safada. É aí que mata o cara.
- Porra, mas ela é gostosa demais. Difícil um homem não cair na onda dela.
- É. Isso que tô tentando lhe dizer: muito diferente do caso da sua beatinha dos olhos verdes, que freqüenta a igreja e só vai dar depois de casar.
- Duvido, cara. Essa eu duvido.
- Toda bonitinha, com sapatinho arrumado e terninho engomado... Funcionária do Fórum, funcionária exemplar, aliás, muito diferente de nós.
- Pare de abusar a moça. Você pode se enganar com ela.
- Mulher assim não me engana não.
- Ah, é? Olha ali quem vem andando ao lado de Silvinha!
- Oxe, e num é que são as duas mesmo?
- As próprias. Espera um pouco.... Elas est... Estão de beijando? Eu nunca imaginaria... Agora que perdemos todas as chances!
- Que nada. Acabei de atualizar minha tara: quero é fuder com as duas na igreja!


P.S: esse é o 100° post do blog. Vida longa!

terça-feira, 29 de julho de 2008

Divina Providência

Já passava da meia noite. Num estampido que o bairro todo ouviu, Dona Maria da Graça gritou. E gritou alto. Aparentemente, com o pouco que conhecia, Seu Hilário constatou que a bolsa da esposa havia rompido e o melhor a fazer era correr para o hospital. Naquela Salvador dos anos 60, era difícil encontrar carro de aluguel, ainda mais uma moça jovem e carnuda sangrando pela vagina. Foi uma correria só. Maria estava grávida de 6 meses apenas. Só um milagre salvaria o bebê.

Foi assim que, 48 anos atrás, nasceu Divina Providência. É por isso que agora, nesse agosto maravilhoso, seus parentes estavam comemorando o aniversário da quase senhora. Divina ainda lembrava da mãe com carinho, morta há alguns anos, e tentava conter o pai, que todo aniversário da filha contava a história do parto. Daí o nome. A própria era contida nessas intimidades e somente as contava ao jovem padre José, da paróquia da Graça. Nem mesmo Amâncio, seu marido 10 anos mais velho, sabia de coisas íntimas dela.

Padre José ouvia quase todos os dias a voz de Divina. Mesmo de longe já reconhecia o timbre da moça; sim, gostava de chamá-la assim, mesmo que ela se sentisse com vergonha. Mas ele não. Divina freqüentava a igreja quase todos os dias. E confessava. E orava. E não faltava a nenhum chá que as beatas da Graça ofereciam em seus palacetes decadentes. Pelo menos passava o tempo e jogava conversa fora.

Ela também freqüentava a sacristia do jovem padre, sempre solícita em suas questões religiosas. Ajudava até na preparação da hóstia. Chegava sempre alguns minutos antes da missa das 7 da manhã, mas naquele dia escuro de agosto chegou um pouco mais cedo, talvez correndo da chuva que ameaçava desabar. Não foi uma boa hora. No virar do corredor, deu com o jovem padre José trocando de roupa. Ali mesmo. No arribar da bata, Divina só conseguiu ver o corpo jovial de José; e nessa hora ela nem conseguiu distinguir o padre do homem. Um calor subiu-lhe pelas pernas e só encontrou guarida num suspiro calado. Deu meia volta e saiu chispando.

De noite, Divina estava melhor (tinha passado o dia enfurnada no quarto) e mais disposta durante o jantar. Fez até um afago solitário no marido, algo que não acontecia há muito tempo. Os dois subiram quietos como sempre e Amâncio o tempo todo a falar de contas e conjecturas financeiras, algo que sua profissão de contador não lhe deixava esconder. Divina estava mais lânguida e o marido percebeu a deixa. O casal fazia sexo somente algumas poucas vezes por mês, muito diferente do começo do casamento. Mas nessa noite Amâncio partiu pra cima e Divina, com uma serenidade sexual, deixou que rolasse. O melhor sexo em anos.

Claro, Divina estava com a cabeça em outro local. Mesmo com seus 48 anos, ela ainda dispunha de coxas roliças e um corpo bem cuidado, apesar das carnes que às vezes lhe fugiam de alguns vestidos. Sentiu-se consumida naquela missa do dia seguinte. Apesar de tudo, ainda achava que o padre José poderia sentir algo por ela. Era difícil, mas sim, era possível. Até a bata e todo ritual da missa agora lhe trazia um tesão arrebatador. Esperava a noite com um furor irreconhecível e atacava Amâncio de jeito que ele nunca vira antes.

Com todo esse calor, o casal voltou a transar diariamente e, dessa vez, com muito mais vontade. Até fantasias Divina preparava e exigia o mesmo do marido. Numa dessas noites ela pediu a ele que abrisse a caixa de presentes e vestisse aquela fantasia. “Fico doida só de pensar em você vestindo isso”, disse ela. Amâncio apressou-se em colocar a fantasia de padre e, naquela noite, Divina chegou a acordar os vizinhos com seus gritos de amor.

Gritos verdadeiros, mas Divina sempre se excitava mais com a fantasia de padre que Amâncio vestia, o que levou o marido a desconfiar de alguma coisa. Foi então que decidiu, de surpresa, aparecer numa missa. Sentou-se ao fundo para que ninguém o visse e constatou algo que lhe deixou encabulado, pois concluiu que os olhares da esposa para o jovem padre José eram insinuantes. Daí ligou com a fantasia... E pronto. O homem saiu enfurecido para casa. Lá esperou Divina e só não deu na cara dela porque alguma força sobrenatural o segurou. O homem era só raiva. Dizia impropérios, xingava as gerações dela, maldizia os católicos, sobrando até para o padre.

O jovem Pedro não sabia o que lhe aguardava. Amâncio saiu furioso de casa em direção à paróquia. Dizem que ninguém é homem até ser corno e que, dessa forma, a alma só pode ser lavada com sangue. Amâncio não pensava em nada, mal sabendo ele que o adultério de Divina só existia na cabeça da moça. Pobre padre José. Nem viu da onde veio o primeiro soco, que estourou-lhe o nariz. Mal conseguiu levantar e tomou outro chute no rosto, dessa vez custando-lhe dois dentes. O tiro, então, ele talvez nem tenha sentido e foi certeiro no peito. A av. Princesa Leopoldina ficou surda no momento. Divina vinha atrás e caiu de joelhos em desgraça.

Com os meses que se passaram, Divina dividia o tempo entre o hospital e o presídio Lemos Brito, para onde Amâncio foi encaminhado depois do julgamento. Não deixou um domingo sequer de visitar o ex-marido. A sorte dele é que sua pena estava reduzida, já que o jovem padre José não morreu. Um milagre salvou o rapaz, depois de sangrar muito na escadaria da igreja. Passou 6 meses no hospital e saiu quase ileso sem nenhuma seqüela, pronto para ocupar o lugar do homem da casa de Amâncio. José e Divina passaram a viver juntos tórridos momentos de amor. Ele, excomungado, estudava letras na universidade e dava aulas de filosofia para pagar as contas. Ela cuidava da casa, como sempre. Mas nunca deixaram, sempre os dois juntos, de visitar Amâncio na penitenciária.

sábado, 10 de maio de 2008

Rapidinhas (e das boas)

Lula na Bahia - Dizem que veio revitalizar o cacau. Mas não vi em nenhum noticiário a imagem de Zé Inocêncio, o peão das fazendas de Cacau de "Renascer". Sem ele vai ficar difícil.

Bahia e Vitória - Depois da idiotice do créu, menta e uva, os dois novamente não se encontrarão numa competição nacional ano que vem. O vitória desce e o Bahia idem.

Pitty - Momento humor negro: Pitty perdeu bebê aos três meses de gestação. O pai era o baterista do NX Zero. Também pudera, se o menino nascesse ia ser uma aberração de tanto chorar. Filho emo é foda, mas pai emo é pior ainda!

Chuva - Alguém entende como nós soteropolitanos ainda nos surpreendemos com as fortes chuvas? Os alagamentos acontecem desde sempre e mais de uma vez por ano, mas toda vez é a mesma baboseira na TV e nas rodinhas de buteco. Porra, choveu é feriado!

Adolescentes em fuga - "A tradicional novena ao Mês de Maria para 12 católicas, a maioria delas idosas, foi marcada por momentos de tensão, quando dois adolescentes que fugiam da polícia invadiram ontem à noite a Igreja de São João Batista, em Caminho de Areia". Depois dizem que os jovens não procuram ajuda divina...

Novidades do blog - Semana que vem vou inaugurar a sessão "top 10" do blog. A primeira lista é "Os 10 baianos mais mal vestidos", inspirada naquelas listas das revistas de fofoca dos EUA. Tem também "As 10 piores rimas da música baiana" e "Os 10 baianos mais chatos". A cada semana uma nova (na medida do possível). Você também pode colaborar.