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sábado, 10 de maio de 2008

Rapidinhas (e das boas)

Lula na Bahia - Dizem que veio revitalizar o cacau. Mas não vi em nenhum noticiário a imagem de Zé Inocêncio, o peão das fazendas de Cacau de "Renascer". Sem ele vai ficar difícil.

Bahia e Vitória - Depois da idiotice do créu, menta e uva, os dois novamente não se encontrarão numa competição nacional ano que vem. O vitória desce e o Bahia idem.

Pitty - Momento humor negro: Pitty perdeu bebê aos três meses de gestação. O pai era o baterista do NX Zero. Também pudera, se o menino nascesse ia ser uma aberração de tanto chorar. Filho emo é foda, mas pai emo é pior ainda!

Chuva - Alguém entende como nós soteropolitanos ainda nos surpreendemos com as fortes chuvas? Os alagamentos acontecem desde sempre e mais de uma vez por ano, mas toda vez é a mesma baboseira na TV e nas rodinhas de buteco. Porra, choveu é feriado!

Adolescentes em fuga - "A tradicional novena ao Mês de Maria para 12 católicas, a maioria delas idosas, foi marcada por momentos de tensão, quando dois adolescentes que fugiam da polícia invadiram ontem à noite a Igreja de São João Batista, em Caminho de Areia". Depois dizem que os jovens não procuram ajuda divina...

Novidades do blog - Semana que vem vou inaugurar a sessão "top 10" do blog. A primeira lista é "Os 10 baianos mais mal vestidos", inspirada naquelas listas das revistas de fofoca dos EUA. Tem também "As 10 piores rimas da música baiana" e "Os 10 baianos mais chatos". A cada semana uma nova (na medida do possível). Você também pode colaborar.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

O dia depois de domingo

Segunda-feira azulada aquela. Zéu acordou com uma ressaca das brabas. Olhou o rádio relógio piscando: 6h30. “Puta que pariu!”, gritou Zéu enquanto tateava a procura dos óculos. Acabou achando um pacote de engov aberto e outro fechado. Meteu goela abaixo e levantou rápido para se arrumar; o buzú das 7h15 é sempre o pior e se ele não se apresasse, era justamente nele que iria todo apertado. Quando estava no banheiro escovando os dentes veio a lembrança: uma camisa rubro-negra repousava suja no canto do banheiro.

- Porra!!! Dor de cabeça miserável que me fez esquecer do jogo. Caralho... ahhahah... Metemos pau naqueles bahia de merda. Carlinhos se fudeu.

Carlinhos, Bahia doente, era seu colega de firma e dividia a baia com ele. Cena dantesca se repetia religiosamente todas as segundas, tendo jogo ou não. As discussões eram tão comuns que os outros colegas aprenderam com o tempo: segunda-feira era dia de ouvir música no fone.

7h50 e lá estava Zéu na repartição. Nenhum filha da puta tinha aparecido na sala, nem a gostosa da Cema. “Melhor assim”, pensou o rubro-negro. Alguns minutos depois chega Carlinhos.

- Bom dia aê.

Zéu não responde e fingi estar no telefone. Carlinhos liga o computador, olha as horas e vai atrás do cafezinho. Quando volta...

- Desgraça! Que porra é essa aqui, mermão? Wallpaper do vitória na minha máquina?! Essa porra só pode estar de sacanagem. Como é que tira esse troço daqui? Zéu!? É com você mesmo seu viado, foi você que pôs isso aqui foi? Diga ai vá, puta.

- Foi sim. Ahahahahahahaha, me pertube agora vá. Coloquei e ainda travei a zorra toda ai. Vai ter de chamar o rapaz da informática. E advinha? Ele é rubro-negro também, sacana! Se fudeu ahahahhaha

- Ah, miséria... Era só que faltava. Seus gatinhos sem estrela invejosos de merda.

-Nada, nada disso... Não me venha com negócio de estrela, papá. A porrada ontem foi dura hein!? Comi uma água da porra em sua homenagem, Carlinhos.

- Ó paí, meu deus... Ó paí... Num iluda esse povo não, é sério. E tire logo essa porra daqui do meu computador.

- Relaxe, Carlinhos. Quando você menos esperar já entrou 1... 2... 3... Igual a ontem hahahahaha

- ...

- Deixe de besteira, lindão. Pega logo essa guia ai da sua mesa que o chefe quer logo, logo agora.

- Que porra nenhuma. Só trabalho depois das 9h, cê sabe disso.

- Rapaz... Veja logo isso ai. Ele falou comigo sexta que queria isso logo hoje cedo. E era com você. Diz ele que é mais rápido, sei lá... Vá, man. Dê mole não.

- Ah, merda... Me dá logo ai vá.

Zéu, então, entregou o papel para Carlinhos. Estava escrito: “Tome sua porradinha de leve e não chore. Hoje você é minha putinha”

- Rapaz, é sério... Num comece não essa porra que vai dar merda. Tá pensando que eu sou otário é? Jogo roubado do caralho...

- Ahahahhahah, Man... Eu só tenho é rir de você hoje, meu caro. Só rir. Falou tanto semana passada que hoje você é minha putinha.

E a segunda-feira continuou como tantas outras: os colegas de Zéu e Carlinhos com fone de ouvido. Mas Zéu ainda preparava sua cartada final. Aquele dia era importante para a repartição, que iria apresentar um trabalho para os diretores da empresa. Nada muito importante, mas dava para o plano do rubro-negro. Com um olhar masoquista, Zéu tirou de dentro da mochila uma camisa social vermelha e preta (duas vezes do tamanho dele, dos tempos que tinha 130kg). Enquanto Carlinhos estava na sala do chefe, Zéu foi lá fora e conversou algo rapidamente com Ligeirinho, o menino que vendia quebra-queixo e nego-bom para o pessoal da firma. Cinco minutos depois...

- Ô Ligeirinho, chegou cedo hoje, rapaz... Me dê dois nego-bom ai, na moral.

- Pô Cema, você é linda mas paga, tá? A não ser que queria sair com o putão aqui, né, ai...

- Cala a boca, menino safado. Toma ai R$2 e fica queto.

- Muito obrigado... Carlinhos! Carlinhos... Quer não? Tem aquele quebra-queixo que voc...

(Ligeirinho espertamente esbarra em Carlinhos, que estava com seu 3º café do dia em mãos)

- Puta que pariu, Ligeirinho!! Porra é essa??? Derrubou café na minha camisa... Você tá doido é, sua lombriga desalmada? E agora... Rapaz... Né possível uma porra dessa não.

- Relaxe, man. Tenho uma camisa extra aqui. Ia dar pra um colega mais tarde. É minha mas é antiga, dá em você, pode ficar tranqüilo.

- Valeu, man... Porra...

A oferta sarcástica de Zéu deu certo. Horas depois, quando estava faltando apenas 5 minutos para a apresentação, Carlinhos gritou do banheiro pedindo a camisa ao amigo.

- Toma ai, ó. Ta todo mundo lá esperando só você. Até!

Quando Carlinhos pegou a camisa e viu não dava mais tempo. A merda tava feita. Tinha que vestir aquela camisa com listras verticais vermelhas e pretas. Bem ao estilo do rubro-negro baiano. Na apresentação, tudo correu bem na frente de mais de 30 pessoas da firma, exceto pela cara de Carlinhos, amaldiçoando o amigo eternamente. E por Zéu também, que sentou no canto e tirou várias fotos.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Um domingo típico

Domingo à noite. Um baiano típico olha pro relógio. São 22:27. Ele coça o saco, dá uma escarrada pra demarcar território e puxa o celular. A TV está ligada no Fantástico passando a entrevista dos pais daquela menina que morreu jogada do sexto andar. Disca o número de outro baiano típico.
- E ai seu porra... Fazendo o que?
- Diga viado! Fazendo o que? Você ainda me pergunta, misera!?
- Porra, man... Tá um barulho da porra ai. Tá aonde?
- Comendo água!! Amanhã é feriado e o baêa meteu 4 no vice lá no borradão.
- É mermo!! Porra ,véi... Tava na praia com a patroa e os minino e nem me lembrei do jogo. Foi lá?
- Que nada. Quem é que bota os pés naquele lixão? Aonde...
- Ahahah... Você é foda mermo... Quem tá ai com vocês?
- Rapaz... Tem uma barreira: Gelson, Cabeça, Ninho, Toco, Déu, Piruito, Rolha e um monte de sacana com a camisa do baêa. Vem pra cá, porra!
- Dá não man... Tô aqui numa maresia do cabrunco, sono da porra. Cê sabe... Passar o dia todo no sol, tomando nova schin e comendo aquele peixe frito de Seu Elton na praia é foda...
- Porra... E você nem pra me chamar, né misera? Aquele peixe frito é bom pra caralho. Eu ia na praia, enchia a cara e descia direto pro bar de Mequinho. Mas é niuma... Como é que tá Aninha?
- Tá bem sim. Já tá roncando e as porra. Chegamo umas sete hora aqui, batemos o rango e sono veio logo. Você sabe... Eu durmo tarde cumaporra... Tô na seca aqui, com uma vontade de bater na boca do sapo, dar uma bimbada.
- Ahahahah... Acorda a patroa!
- A misera ronca que é uma desgraça!
- Aahahaha... Vem pra cá então, misera. Amanhã é feriado! Vamo cume água que o Baêa meteu 4 naquelas puta!! Larga ela ai dormindo.
- Que nada. Dá não.
- Você é acorrentado é porra? Desce logo. Coloca a bermuda e puxa aquela camisa velha do Baêa do armário que eu tô ligado que você ainda tem. Essa viadagem de torcer pro São Paulo... Onde já se viu... Nasce na Bahia a porra e vai torcer pra aquele time de viado.
- Relaxe, man. A camisa do Baêa da CCS ainda ta guardada.
- Emtão porra, venha!! Olhe... Tem umas nega aqui que chegaram nestante. Sentaram numa mesa ali no canto e pá... Cabeça e Ninho já foram lá dá um chega. As mulé tão na boa, mas daqui a pouco começa a ficar beba, ai já viu...
- É mermo é?
- É, rapaz... Tô lhe dizendo. A gente arrasta aqui pro Motel Prazer Eterno... 1 hora é R$9,90! Foda garantida, confia no papa aqui.
- Porra man... Tá dando uma vontade da porra, mas num dá não. Dá não! Vou desligar aqui que essa porra tá levando meus créditos todo. A gente se fala!
- Mas é acorrentado mermo... Ai ai... Vá lá, man!

Telefone desligado, ele vai na cozinha. Olha na geladeira uma skol perdida lá no final. Antes de abrir vai ao quarto com um sentimento pesado; talvez seja o peixe frito da praia que dá uma azia daquelas. Mas não, não é nada disso. Olha a mulé roncando e os filhos dormindo. Abre o guarda-roupa e parece procurar algo. É a velha camisa do Baêa da CCS. Puxa o chinelo, ajeita a bermuda jeans desbotada e sai. Antes, abre a skol.