terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Os melhores momentos de 2008 na Bahia

...E enfim chegamos ao penúltimo dia do ano, e com ele a lista dos melhores momentos para a Bahia em 2008. Espero mais e mais exemplos dessa lista em 2009. Vamos lá!

Top 10 melhores momentos de 2009 na Bahia

1 – Adeus, Carlismo!
Se a eleição de João Henrique do PMDB foi ruim por um lado, por outro a coisa foi muito boa. Quase que definitivamente podemos decretar o fim da Era Antônio Carlos Magalhães na Bahia. Pode vir outro, mas se vá ACM. Vá!

2 – Cultura baiana
Foi-se o tempo do pão com axé e do axé com pão, sem variação alguma. Hoje nossa terra produz e exporta ao mundo uma quantidade imensa de bandas, grupos e artistas. E não só isso: os espaços estão mais democráticos e se fortalecendo cada vez mais. Não há mais aquela velha máxima: “Não tem nada pra fazer em Salvador”. Em 2008 teve muita coisa.

3 – Bandas baianas no mundo
Esse foi o ano em que bandas baianas foram ao mundo mostrar seu trabalho (Radiola, Dois em Um...), ou até mesmo mostraram aqui dentro do Brasil que nós temos rock de primeira (Formidável Família Musical, Vivendo do Ócio...). Fora a manutenção de outros bons nomes (Cascadura, Retrofoguetes, Ronei Jorge...).

4 – Pitty não lançou CD (inédito)
O lado ruim das bandas baianas não se atreveu a lançar nada de inédito esse ano. Graças a Deus.

5 – Adeus monopólio da Telemar/Oi
Pode não ser a sétima maravilha do mundo, mas os baianos enfim saíram das garras da telemar/oi e puderam optar por outra operadora de telefonia. É, somente em 2008 isso foi possível.

6 – Mídia impressa baiana dá sinais de vida
O Correio mudou totalmente e o A Tarde, que já estava na mesmice há anos por falta de concorrência, teve que correr atrás e lanças novos produtos. Tá longe do ideal ainda, diga-se de passagem.

7 – Cinema baiano também dá sinais de vida
Eu até comentei sobre esse assunto no blog. Poderemos ver algumas boas produções em 2009 e muita coisa produzida realmente por essas bandas.

8 – Caetano Veloso fez algo que preste
É verdade. Quando todos achavam que ele já era (isso há muito tempo), o coroa veio com um disco interessante num novo formato. Uma obra aberta, digamos assim. Inovação de Caetano que há décadas esperávamos.

9 – Gilberto Gil saiu do ministério
Não poderia faltar o mestre Gil aqui no top 10, mas dessa vez ele fez algo que prestou: abandonou o barco do ministério e voltou a cantar e fazer música mais ativamente.

10 – Terra de Ninguém
É, eu mesmo, sou um dos melhores momentos de 2008. Modéstia? Esperem 2009.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Os piores momentos de 2008 na Bahia

Fecharei o ano com a eleição dos piores e melhores momentos daqui da terrinha. Ao longo desse ano muita coisa ruim aconteceu, mas também muita coisa boa. Ou não, basta ver por diferentes ângulos. Porém, procurei enumerar aqui fatos importantes para o bem e para o mal. Hoje os piores, amanhã os melhores. Que 2009 fique com os últimos.

Top 10 piores momentos de 2009 na Bahia

1 – Eleição para prefeito
Muito se falou e se discutiu, mas no final das contas o mesmo prefeito ruim foi eleito. Típica eleição em que ninguém que você conhece votou no cara, mas ele conseguiu se eleger. Agora serão mais 4 anos de trapalhadas, roubalheiras e otários descontentes.

2 – Violência atinge números alarmantes
É meio clichê falar sobre isso, mas a violência em Salvador e na Bahia está atingindo números preocupantes. Por exemplo, só esse ano mais de 30 policiais foram assassinados, o que dá uma dimensão catastrófica da situação.

3 – Morre Dorival Caymmi
Uma pena, mas o artífice da cultura baiana do século XX se foi.

4 – A praga dos novos apartamentos
É incrível como 2008 foi o ano do boom dos apartamentos e construções luxuosas, aquelas em que tem de tudo dentro do condomínio. Fomos bombardeados com toneladas de folhetos e horas de anúncios na TV. Só quero saber mesmo onde estão esses ricos de Salvador.

5 – O Axé Music continua o mesmo
Vocês devem achar que eu sou besta em esperar alguma coisa da axé music, mas não é isso. O estilo que consagrou a Bahia no Brasil nos últimos 20 anos realmente não se renovou e continua na mesmice imbecil de Ivete Sangalo.

6 – Série “Ó Paí Ó”
Não bastasse o filme, a série veio com tudo de ruim: cenas mal feitas, personagens fora da realidade e histórias fracas.

7 – PMDB x PT
Uma briga idiota que começou na eleição municipal pode mudar completamente os rumos das eleições presidenciais de 2010. Não sei porque está aqui, mas achei, por algum motivo, que poderia ser um momento ruim.

8 – Emos invadem (definitivamente) a cidade
É uma praga que infelizmente temos que aceitar, porque se formos agir pelo instinto...

9 – Esporte Clube Bahia
Se essa lista tivesse uns 10 anos de vida com certeza o Bahia seria o recordista de aparições. Em 2008, esteve em nenhum lugar e foi pra lugar nenhum. Patético.

10 – Crise mundial atinge Salvador
Querendo ou não, a tal crise mundial chegou com tudo, tanto é que o Natal foi mais fraco e vários setores da economia local ainda sofrem as conseqüências.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Os melhores filmes de 2008

Confesso que foi a lista mais difícil de fazer, mais até do que os piores e melhores momentos do ano na terrinha. Fiz uma pré-lista com 18 nomes, que depois caiu para 12, para enfim fechar em 10. Ao fim da lista eu coloco outras indicações, na categoria de “menções honrosas”. Ah, segundo minha contagem, vi 96 filmes esse ano. Em 2009 pretendo subir para 150. Será que rola?


1 – Na Natureza Selvagem
Sean Penn na direção é sinônimo de um trabalho apurado, profundo e emocionante. Não é diferente aqui. “Na Natureza Selvagem” mexe com aquele sentimento inerente a qualquer ser humano: a fuga. O filme carrega uma emoção incrível, além de belas paisagens americanas e uma trilha sonora quase perfeita, feita por Eddie Verder.

2 – O Banheiro do Papa
Estréia de César Charlone na direção, o aclamado diretor de fotografia de filmes como “Diárias de Motocicleta” e “Cegueira”, entre outros. A história é ao mesmo tempo engraçada e bela, cômica e trágica. Não perca.

3 – Onde Os Fracos Não Têm Vez
Obra prima dos irmãos Coen, mais uma vez roubando a cena do Oscar (lembram?). Não é por menos: o filme é intenso e simples, com atuações espetaculares, principalmente Javier Bardem.

4 – Irina Palm
Filme inglês que passou meio que batido pelos cinemas, mas que traz de volta Mariane Faithful no papel principal. A ex amante de metade dos roqueiros dos anos 60 e 70, a atriz dá um show de interpretação numa história simples, mas muito bem explorada pelo roteiro.

5 – O Escafandro e a Borboleta
Vencedor de prêmios ao redor do mundo, traz uma história real belíssima, em que vemos o mundo na perspectiva de uma pessoa em estado vegetativo. Longe de ser chato, o filme apresenta interessantes discussões e muita emoção.

6 – Estômago
História divertida, está aqui para provar que comédia pode ser hilária sem ser idiota. Traz também uma atuação de primeira de João Miguel e uma história fluida e bem construída.

7 – Control
“Control” conta a história do Joy Division, enfocando mais especificamente a conflituosa história de vida de Ian Curtis. Incrível como o roteiro é rico e abrangente, além da fotografia (em preto e branco) ser linda. Vale para quem é fã, mas também para quem não é.

8 – Sangue Negro
Mais uma atuação incrível de Daniel Day-Lewis. A história desse filme daria uma trilogia, é bem da verdade, mas ficou muito bem no tempo de apenas um longa. Paul Thomas Anderson na direção dá um show, além também de Paul Dano como o pastor.

9 – Desejo e Reparação
Linda história de amor que atravessa anos e não se acaba. Parece besta, mas não é. O filme consegue tratar de maneira sóbria a questão, além de desenvolver outras histórias paralelas muito interessantes. Além disso, tem um plano seqüência espetacular de cerca de 10 minutos.

10 – Batman – O Cavaleiro das Trevas
Até relutei em colocar na lista, mas Heath Ledger falou mais alto. O roteiro é muito bom, além de ter ótimas cenas de ação.

*Menções honrosas: "Meu Nome Não é Johny", "Eu Sou a Lenda", "Juno, Shine a Light", "2 Dias em Paris", "A Culpa É de Fidel", "Bella, Cegueira", "Vicky Cristina Barcelona", "A Vida dos Outros" e "Sombras de Goya".

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Os piores filmes de 2008

Se está tão difícil escolher os 10 melhores filmes de 2008 (semana que vem não passa), a tarefa de apontar os 10 piores é moleza. Vi alguns filmes bem sofríveis esse ano, muito fruto da famigerada segunda-feira do jornalista, em que o Multiplex Iguatemi convida profissionais a assistirem filmes de graça. E aí vem cada podreira...


1 – Pequenas Histórias
Eu já sabia que era bomba, mas mesmo assim insisti. Quebrei a cara, porque esse filme dói de tão ruim. É tipo aquele que você não acredita que fizeram coisa tão ridícula e assisti até o fim para conferir. Fuja, mas corra léguas disso aí.

2 – Jogos Mortais V
O filme já virou uma piada de sim mesmo. E o pior: de muito mal gosto. Cenas fracas, história capenga, atuações sofríveis e nenhuma novidade.

3 – Treinando o Papai
Tá bom que esse filme é infantil, mas precisava ser tão besta e mongolóide?

4 – O Suspeito
Mesmo atores consagrados e muito bons não conseguiram salvar uma história completamente sem noção, com um final contraditório que eu só posso imaginar que o roterista acha que somos burros.

5 – Noites de Tormenta
Romance barato. Essa é a definição que me veio à cabeça logo depois que as luzes se acenderam. Quinto pior do ano.

6 – Elizabeth – Era de Ouro
Para quê voltar a uma história tão bem sucedida? Pois Cate Blanchet, uma das atrizes mais incríveis da sua época, fez esse trabalho “vergonha alheia”. O filme não diz simplesmente nada. Nada.

7 – Reis da Rua
Um filme com Keanu Reeves já tem sérias chances de entrar entre os piores do ano. Esse aí ele se supera na má atuação, fora que a história é mais uma típica de policiais corruptos, drogas, reviravoltas... Chato.

8 – Romance
Tanta gente falou bem, mas pouco se analisou pontos importantes: Wagner Moura não interpreta (ele é si mesmo no filme), parte da história é completamente televisiva, outra metade é quase-televisiva, a história é fraca...

9 – O Sonho de Cassandra
Tudo bem que é Woody Allen, mas ele poderia ter se esforçado um pouco mais. O filme é bem sofrível, com uma história apenas medíocre e atuações idem.

10 – Um Beijo Roubado
Outro baluarte do cinema contemporâneo, Wong Kar-Wai dessa vez pesou a mão e fez um filme longo demais, melodramático demais, chato demais.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Meus livros de 2008

Faço um breve comentário dos livros lidos em 2008. Minha média ainda deixa a desejar, porém sei que estou quilômetros a frente da média nacional. Já é alguma coisa.

Roberto Carlos em Detalhes – Paulo César Araújo
Fruto de polêmica, esse livro traz toda história de um dos maiores ídolos nacionais do século passado. Eu já era fã do “homi” e fiquei mais ainda. Vale muito a pena.

Assombro – Chuck Palahniuk
Só conhecia a obra de Palahniuk através do filme Clube da Luta, um dos meus favoritos. “Assombro” é uma coletânea de contos relacionados a uma história em comum e que revela o estilo realista, escrachado e inventivo do autor. Leia um dos contos.

1808 – Laurentino Gomes
Esse livro ganhou todos os prêmios possíveis e imagináveis em 2008, simplesmente porque é uma obra de extrema importância para a história do país. Nele, você irá encontrar todas as informações sobre a vinda da família real para o Brasil em 1808, numa narrativa fluente e didática, mas sem se tornar idiota.

Mentiras no Divã – Irvin D. Yalom
Definitivamente não é meu tipo de livro, mas me foi emprestado e, para não fazer desfeita, eu li. Aliás, foi numa época do ano em que eu estava com mais tempo livre. Yalom é um best seller, mas pelo menos esse livro não é auto-ajuda. Chega perto.

O Carrasco do Amor – Irvin D. Yalom
Ele de novo. Li os dois na seqüência e confesso que hoje não sei diferenciar qual é qual. Só sei que esse é mais fraco.

Secreções, excreções e Desatinos – Rubem Fonseca
Sempre é bom reler Rubem Fonseca, o mestre dos contos urbanos. Essa cópia foi presente de meu amigo Sandro e volta e meia eu pego para ler uns contos que estão entre os meus favoritos. Dessa vez eu li todos. Genial.

Capitães da Areia – Jorge Amado
Mais uma releitura que não me arrependo. Mestre da cultura baiana, Jorge Amado cria uma história ao mesmo tempo bonita e sofrida, ao mesmo tempo fluida e densa, ao mesmo tempo séria e divertida. Indispensável.

Gabriela, Cravo e Canela – Jorge Amado
Novamente o mestre, dessa vez criando uma narrativa muito próxima das grandes novelas brasileiras. A história flui de uma maneira incrível, com personagens fascinantes e cheios de mistério. Gabriela virou uma entidade.

Sexo, Drogas e Rolling Stones – José Emílio Rondeau e Nélio Rodrigues
Sou fã de biografias e essa é uma das melhores que já li, mérito da banda e também do formato pop do livro. A obra apresenta toda trajetória dos Stones, contando histórias sensacionais de Richards & Cia. Imperdível para quem gosta de rock n roll.

O que é Cinema – J. C. Bernardet
É um livro-pílula, pequeno, compacto e fascinante. Dá uma visão interessante sobre a história do cinema, seus propósitos iniciais e como se desenvolveu ao longo dos anos. Além disso, fornece ao leito uma perspectiva diferente para entender a sétima arte.

Os Sofrimentos do Jovem Werther – Goethe
Comprei numa dessas promoções à R$10. É um clássico da literatura alemã e mundial, que mostra a história de sofrimento do personagem diante de um amor conturbado. Não é piegas, e sim revelador.

Hamlet – William Shakespeare
Mais um clássico da literatura mundial, Hamlet é um livro denso e incrível por mostrar a dor e o sentido de vingança em diversas formas, não só do personagem-título. Vale a pena ler, até porque dá para devorá-lo numa tarde.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

O Natal de Júlio

Sentado na cama do motel, Júlio chorava copiosamente. Ao lado, uma toalha jogada e algumas camisinhas usadas. A dor no peito atacava-lhe tão forte que, de tanto chorar, chegou a perder o ar. Mesmo assim não tirava do canal pornô na TV, apenas observando o vai-e-vem de coxas e bundas.

Há um ano que Júlio saía com Marina. O primeiro encontro dos dois foi numa típica cena da noite soteropolitana. Primeiro, o rapaz e os amigos saíram para aquecer num bar da moda, regada a muita cerveja importada. Depois, a noite esticou-se até uma casa noturna, do tipo boate, que tocava som alto e repetitivo para pessoas repetitivas. Foi na saída que os dois trocaram o primeiro olhar. Júlio estava mais do que bêbado e foi induzido pelo amigos a dar em cima da garota. Honesta e de bons princípios, Marina sequer deu trela a ele, não por birra, mas por vontade própria. Porém, uma semana depois, os dois novamente trocaram olhares, e dessa vez muito libidinosos.

Daí para o início do romance foi apenas o tempo de um beijo. Marina, uma garota de família rígida e de educação militar, escorava-se na idéia de uma vida matrimonial feliz e cheia de filhos. Mesmo com apenas 22 anos, a garota pensava que teria apenas um namorado e com ele se casaria. Agora se relacionando com Júlio, a ela já planejava na cabeça todo seu futuro com o namorado. Só faltava avisá-lo.

Com 25 anos, Júlio tinha acabado de se formar em engenharia e conseguido um emprego de grande responsabilidade, mas também de grande faturamento. Era a época em que ele mais saía para curtir, beber e pegar todas as mulheres que via pela frente. Numa típica noite, saía de casa às 20h e só chegava 10 horas depois, na maioria das vezes de banho tomado e barriga cheia. Esperto o tal do Júlio.

No princípio, cheio de vigor e virilidade, Júlio conseguia dobrar perfeitamente a namorada. Conhecia todas as formas de despistá-la e sair para curtir com os amigos. Marina, achava ele, pouco sabia, ou quase nada. Todo fim de semana era a mesma coisa, e só mudou depois de alguns meses, quando a falta da menina começou a ser sentida mais profundamente. Não tinha mais forças para sair e chegar de manhã em casa e apenas pensava nela. O amor tinha tomado todo seu coração, inclusive sumplantado tudo que sentia por si mesmo. Marina sorria.

Menina sorridente aquela. Tinha no sorriso e no olhar um encanto incrível sobre os homens. Era o tipo de mulher que fazia o gênero quieta e sempre bem arrumada, num estilo nem tanto recatada, nem tanto extravagante. Mas, no tempo que passou com Júlio, seu brilho pessoal passou a ser muito maior. O namoro parecia estar dando muito certo e ela nem ligava para as escapadas do namorado, que ela sabia, mas ninguém sabia que ela tinha conhecimento. Pouco importava.

Um ano depois, no natal daquele ano, a festa estava toda armada para as duas famílias. Fato inusitado é que Marina prometeu a Júlio que iria, enfim, transar com ele. Era verdadeiramente uma prova de amor, que o rapaz esperava ansiosamente durante esses 12 meses. Ao longo de todo esse tempo, Júlio ficou na abstinência, apenas treinando em casa se masturbando vendo filmes pornôs de todos os tipos. Porém, não contava de jeito nenhum a Marina ou a qualquer outra pessoa. Por ser um cara descolado e já experiente, ninguém percebia que os dois nunca haviam feito sexo e, claro, ele não ia negar nem concordar com nada.

Depois da troca de presentes, todos foram para casa, menos os dois. Marina pegou o carro de Júlio e propôs um jogo: ele ia vendado o caminho todo, para não descobrir aonde iria. Em troca, ela faria algo inusitado e especial para ele. Óbvio, o rapaz não pensou duas vezes em aceitar. No caminho, vendado, ele não viu que Marina passou o tempo todo mandando torpedos para várias pessoas. A música alta de Madonna abafava o som do teclado sendo manuseado.

O destino final ele já imaginava, porém a quantidade de pessoas que lá estavam nunca ia passar pela cabeça do rapaz. Marina, guardando dentro de si um sentido de vingança e sarcasmo impressionantes, soube por uma amiga que ele tinha pênis pequeno. Não, não era 14 ou 15 cm, eram meros 10 cm de pênis, na maior ereção que ele poderia alcançar. Embora tivesse tentado tratar algumas vezes, nada tinha mudado e Júlio escondia isso de todos os amigos e de quase todas as parceiras sexuais. Sempre dava um jeito e compensava muito com os dedos, as mãos e a língua. Mas Marina pouco se importava. No quarto de motel, mais de 20 pessoas à espera do show da garota, que havia prometido sexo ao vivo. Mas não era com Júlio. Marina desvendou o rapaz que, amarrado, nada pôde fazer. Ela puxou um negro alto e começou ali, na frente de Júlio e de todos, uma forte relação sexual, com direito a tudo que um homem pode esperar de uma mulher. O companheiro de aventura usava apenas um gorro de papai noel.

Passado o martírio, Júlio foi deixado por todos. Andou de um lado para o outro tentando entender aquilo tudo. Seu pênis estava mais flácido do que nunca e sua mente girava sem parar. Tomou banho, bebeu cerveja, acendeu cigarros... E só pensava em Marina, uma garota tão bonita e honesta que só o demônio poderia ter feito aquilo com ela. Sentou na cama, olhou uma toalha jogada e várias camisinhas usadas. Chorou sem parar durante alguns minutos e chegou a perder o ar. Na TV passava um filme pornô diferente, com atores brasileiros e gravação tosca. O filme, estampado no cardápio como destaque do dia, era “Mulheres honestas não valem uma dose de conhaque”. Desfaleceu.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Top 15 - As melhores músicas de 2008

Mais uma lista dos melhores de 2008. Sim, eu sou fanático por listas e essa é apenas mais uma desse final de ano. Nas melhores músicas de 2008, eu resolvei ampliar, porque um top 10 fica pouco para algumas canções realmente muito boas. Só para adoçar a boca dos caros leitores, ainda tem nesse mês: os 10 piores e os 10 melhores momentos de 2008 na Bahia; os livros que li esse ano; e o top 10 filmes de 2008.
O Top 15 está fora de qualquer ordem de melhor ou pior.

Hey Ma – James
Pop de primeira, com bom ritmo e uma bela letra. Vicia.

Rip – Portishead
Assustador e, por isso mesmo, incrível.

Compacto – Curumin
Samppopgroove sem invencionismos mirabolantes

Pass The Buck – Stereophonics
Riff pegajoso e potência típica da banda

We Are Rockstars - Does it Offend You, yeah!?
Hit de pista pra se jogar de verdade

I'm Not Going To Teach Your Boyfriend How To Dance - Black Kids
Outro hit de pista pra se jogar sem medo de ser feliz

Diamond Hoo Ha Man – Supergrass
Tem pegada rock das melhores que ouvi em 2008

Shameless - The Fratellis
Riff forte e dançante. Bela porrada rock/pop

The Shock of the Lightning – Oasis
O velho Oasis. E quem disse que é ruim?

Spiralling – Keane
Bowie revisitado

Henry Nearly Killed Me (It's A Shame) - Ray LaMontagne
Folk e nada mais. Sublime.

Kids – MGMT
Mais um hit de pista. Eu sei, fui meio eletro esse ano, mas Kids já é um clássico.

Brand New Start - Little Joy
Uma das poucoas músicas boas do disco de estréia do Little Joy.

Beautiful Future - Primal Scream
É um belo rock de uma banda subestimada

Tão Perto, Tão Certo – Volver
Banda de rock de Recife que não sei porque não estourou. Essa música é Roberto Carlos na essência.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Top 10 - Melhores discos de 2008

Dando seqüência aos posts especiais de fim de ano, publico agora minha lista dos melhores discos lançados em 2008. Imagino que daqui a pouco vá sair de moda essa parada de disco, mas por enquanto ainda funciona. E provavelmente eu vá me arrepender depois de alguns nomes escolhidos...


1 - Portishead – Third
Discaço de uma banda que pensava-se estivesse morta, mas está mais viva do que nunca. Nesse disco eles retomam as batidas quebradas e as voz melodramática e assustadora de Beth Gibbons, mas impõem um novo paradigma para quem ainda achava que existia Trip Hop. O "Third" segue o caminho que o Radiohead vem trilhando.

2 – James – Hey Ma
Banda dos anos 80 que se perdeu e voltou agora com um álbum cheio de pop e com muito vigor. Tem músicas sensacionais.

3 – Curumin – Japan Pop Show
Melhor lançamento nacional do ano. Longe de qualquer babaquice intelectualóide, Curumin faz pop misturando samba, dub, reggae, funk batidão e soul. E não é chato.

4 - Does it Offend You, yeah!? - You have no idea what you're getting yourself into
É pop dançante pra tocar na pista e ver meio mundo de gente suando feito louco ao som dos caras. O vídeo linkado é uma apresentação no Coachella desseano. Catarse é a palavra de ordem.

5 - Last Shadow Puppets - The Age of Understatement

Alex Turner provando que é muito mais do que o “mero” vocalista do Artictic Monkeys. Pop de primeira.

6 - The Verve – Forth
Richard Ashcroft estava desacreditado por todos, até porque lançou um trabalho solo bem irregular. Mas a volta do Verve está poderosa.

7 - Ray LaMontagne - Gossip In The Grain
Bela voz do novo alternative country/folk americano, LaMontagne canta baladas corretas e com letras melhores ainda. Esse é o terceiro trabalho dele e dizem que ele é o novo Van Morrison.

8 - Keane - Perfect Simetry
Se o Coldplay se perdeu depois da fama excessiva, o Keane manteve o alto nível e nesse novo trabalho aposta mais nos sintetizadores e na volta aos anos 80. Bem, uma banda que lança um disco com a principal influência os discos de Bowie a partir do Scary Monsters, boa coisa tem que ser.

9 - The Fratellis - Here We Stand
Rock de riffs fortes e dançantes sem compromisso com absolutamente nada. De vez em quando é bom.

10 - Black Kids - Partie Traumatic
Mais um filho do eletro/pop que veio com tudo esse ano. Tem alguns hits de primeira pra tocar na balada sem medo de ser feliz.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

A entrevista

Como havia prometido, coloco abaixo entrevista comigo, a partir de perguntas enviadas por vocês, caros e estimados leitores. Só para enfatizar novamente: o objetivo é que vocês me conheçam mais, já que praticamente não faço posts relacionados a mim. Além de que eu acho importante para que vocês me sigam em 2009 no meu novo projeto.

- Qual foi a pior coisa que você já fez na vida? (do nariz da garota não conta)
Sinceramente, eu nem me arrependo de ter quebrado o nariz da garota, então nem entraria aqui. Pensando assim eu não consigo me recordar de nada. Juro. Não me arrependo de nada, ou praticamente nada na minha vida. Então esse “pior” é difícil de responder. Talvez tenha sido uma vez em que eu dirigi muito bêbado, mesmo depois de alguns amigos tentarem me fazer desistir da idéia. Fui lá e fiz. Por sorte, bati o carro apenas na garagem do prédio e o prejuízo foi só meu. Uma bela lição.

- O que te deixa envergonhado?
Não direi que sou um cara sem vergonha (nos dois sentidos), porque realmente sou muito tímido. Falar do meu blog me deixa com vergonha, não porque não veja nele uma coisa boa, mas porque o blog ainda é estigmatizado como um diário besta e pobre. Além disso, muitas outras coisas que não vou revelar ahahah.

- Se você e o seu gêmeo malvado estivessem brigando em cima do telhado (sempre há um gêmeo pior, não importa o quão rui você seja) como é que eu iria saber quem é você para eu atirar nele?
Atire naquele menos nervoso.

- O que o Rodrigo de hoje diria pro Rodrigo de dez anos atrás?
“Está ouvindo rock n roll, meu caro? Continue nesse caminho, mas elimine algumas bandinhas que não vão te trazer nada de bom. Veja mais filmes. Coma menos. E seja assim mesmo, porque de falsidade o mundo está cheio”.

- Qual seu top 5 filmes?
Na lata, sem pensar, porque se eu parar pra fazer não vai rolar:
1 - Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças
2 – Laranja Mecânica
3 – Clube da Luta
4 – Closer
5 – Narradores de Javé
O top 10 filmes de 2008 sai ainda esse mês.

- Você gosta de responder memes?
De jeito nenhum. Aquele foi o primeiro que respondi.

- Cite algum(ns) jornalista(s) que você admira ou no qual se inspira.
Como sou fanático por futebol e ESPN Brasil, eu cito a maioria dos jornalistas de lá, com especial destaque para Paulo Vinícius Coelho, um gênio. É lá também que vocês podem ver o melhor programa jornalístico da TV brasileira, o “Histórias do Esporte”, comandado por Ronaldo Kotscho e Roberto Salim. Outro que destacaria é o velho conhecido, mas não menos fascinante, Lester Bangs.

- Quem gostaria de entrevistar e qual pergunta não poderia faltar?
Tem tantos nomes... Se é pra escolher alguém ainda vivo, um dos top 5, com certeza, seria Morrissey.A pergunta que eu faria? Bem... “Moz, qual seu trauma de infância?”

- Qual seria a viagem dos seus sonhos?
É simples, mas ainda não realizei. Um belo tour pela Europa.

- Qual a primeira coisa que vai fazer em 2009?
Dar um beijo em minha namorada, cumprimentar meus amigos e tomar meia garrafa de champanhe. O resto é resto.

- Você gosta da sua pós?
Com certeza. Ainda estou no começo, mas estou adorando. A área de convergência midiática, novas mídias e jornalismo on line me interessa muito, desde a época da faculdade.

- Indique 3 livros que você ama.
O Retrato de Dorian Gray – Oscar Wilde
Cem Anos de Solidão – Gabriel Garcia Márquez
Estrela Solitária – Ruy Castro

- O que representa a música na sua vida? Explique a relação de amor que tem com ela.
Música é um fator importante para mim. Não conseguiria ser surdo, por exemplo. Eu ouço música o dia todo, em todas as minhas atividades. Tenho uma avidez em descobrir novos sons incrível. Lembro que quando entrei na faculdade eu conversava com meus colegas (Sandro incluso) e eles falavam de diversas bandas que eu nunca tinha ouvido falar. Tinha 17 anos e imaginava que dali a 7 ou 8 anos eu seria outra pessoa, justamente por correr atrás da música e ter essa fome insaciável. Continuo assim.

- Viveria de quê, além do jornalismo?
Muita coisa. Não sou daqueles que dizem que “nasci pra isso”. Eu seria publicitário ou advogado, talvez psicólogo, professor...

- Qual outro sonho precisa realizar?
Aquela simples viagem para a Europa

- Cite três pessoas, famosas ou não, que foram fundamentais para a sua formação.
Minha mãe (óbvio), Oscar Wilde e Jorge Amado.

- O que é Deus pra você?
Existem dois. Um metafísico e outro sentimental. Na balança, Deus é o amor.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Meme - 101 fatos inúteis

Quando Sun colocou esse meme no blog dela, eu achei uma excelente idéia, mas nunca imaginei que iria fazer o mesmo. E cá estou. E mais: como alguns sugeriram nos comentários do post anterior, serei entrevistado por vocês. É só mandar a pergunta nos comentários desse post. Tentarei responder ainda essa semana, como um post especial de fim de ano.

101 fatos inúteis

1 – nasci em 1984, “o” ano para muitos.
2 – sempre fui fanático por música e era daqueles que cantavam ao som de Trem da Alegria e correlatos
3 – tenho um irmão 11 meses mais velho.
4 – de julho a agosto nós ficamos com a mesma idade. É estranho.
5 – moro no mesmo bairro desde que nasci e não pretendo mudar de jeito nenhum
6 – a violência de Salvador me assusta
7 – Me assusta mais ainda é São Paulo. Das vezes que eu fui, todas eu me sentia minúsculo perto de toda grandeza de Sampa
8 – Caetano é chato pra caralho, mas foi gênio quando escreveu “Sampa”.
9 – Até uns anos atrás eu tinha a certeza de que Salvador era uma cidade péssima.
10 – Hoje eu não mais quero morar fora e sim passar uns tempos.
11 – Também sempre fui um cara de cidade, de cheiro de gasolina, poluição, etc. Hoje já começo a pensar diferente.
12 – às vezes me acho velho, mas aí eu percebo que só tenho 24 anos. Que são 24 anos?
13 – quando eu tinha 12 anos eu quebrei o nariz de uma garota que estava brigando com meu irmão.
14 – Passei 1 semana enclausurado de castigo e minha mãe se desdobrou em mil para dar assistência à menina.
15 – não, eu não me arrependo.
16 – comecei a gostar de rock n roll bem cedo, quando ganhei o “O Papa É Pop”, do Engenheiros do Hawaii. Tinha apenas 6 anos.
17 – Quando tinha meus 11 ou 12 anos comecei a ouvir punk rock, embora não me vestisse como tal e entendesse pouca coisa. Mas o som me entretia.
18 – Nessa fase punk, eu trocava cds com meus amigos do prédio. Cada um comprava de uma banda e o intercâmbio rolava solto.
19 – Considero meu primeiro CD de rock, afora “O Papa É Pop” (em vinil), uma coletânea do Titãs. Pirei quando ouvi “Bichos Escrotos”.
20 – A partir daí eu só ouvia: NOFX, Rancid, Green Day, Titãs, Raimundos e Offspring.
21 – Minha mãe não ligava e até incentivava.
22 – Sim, eu já fui a um show do Mamonas Assassinas. Nunca esquecerei, porém a combinação das outras atrações eram sem noção: É o Tchan e Cheiro de Amor.
23 – Teve uma época em Salvador, aliás, que todas as grandes bandas de rock/pop que vinham fazer show aqui eram convidadas pelo Cheiro de Amor. Eu ia a todas.
24 – Eu era sócio do Clube Espanhol, tradicional clube que marcou minha infância.
25 – Minha ascendência espanhola e a influência de família conseguiram títulos para todos, numa época que era caríssimo ter título de clubes.
26 – Hoje eu não sou mais sócio de porra nenhuma.
27 – Nunca malhei
28 – Nunca saí do país
29 – Nunca morei fora de casa
30 – Nunca assaltei um banco
31 – Nunca roubei chocolate nas Lojas Americanas
32 – Ganhei meu primeiro computador quando tinha 13 anos
33- A partir de então sempre fui viciado em computador e internet
34 – Jogo Fifa Soccer de computador há 10 anos, com poucos intervalos de abstinência.
35 – Há 3 ou 4 anos eu jogo todo dia. Aconteça o que acontecer.
36 – Não, eu não enjôo.
37 – sou extremamente ansioso e por isso deixo de fazer várias coisas
38 – Minha maior virtude é a pontualidade, embora as pessoas se neguem a ser e a considerar como tal.
39 – Para mim, 5 minutos já é atraso.
40 – Por isso, já recebi apelidos estranhos. O que mais gostei foi “big bang”.
41 – sou fã de café e seus derivados.
42 – Tenho refluxo, esofagite e mais um troço relacionado. Tenho recomendação expressa de não tomar café e derivados.
43 – Tenho tentado diminuir as doses, mas é difícil no ambiente de trabalho.
44 – Café não tira meu sono.
45 – ansiedade dos afazeres do dia seguinte sim, tiram meu sono.
46 – não perco apetite por nada nesse mundo.
47 – as pessoas me acham engraçado, mas eu só sei contar uma piada, a do “bom dia aê”.
48 – faço chacotas mentais de tudo e às vezes escapa. Já me dei mal por isso.
49 – muita gente me acha grosso, mas nem sempre
50 – não tenho paciência com nada. Ah, por isso a grosseria
51 – na faculdade eu mudei meu pensamento em relação ao mundo.
52 – não, não foi nada que eu vi em sala de aula, mas sim o momento de transformação 17-18 anos e as companhias
53 – Fiz eternos amigos na faculdade e no colégio.
54 – Adoro todos da minha fase de escola, mas só sou amigo de um número menor que os dedos da mão
55 – acho que a maioria das relações humanas são falsas
56 – odeio muita gente em casa. Me escondo quando alguém vem visitar alguém daqui.
57 – “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças” não mudou minha vida, mas chegou muito perto.
58 – sou sensível a filmes, mas nunca chorei.
59 – me lembro de ter sofrido bastante ao ver a cena final de “Pecados Íntimos”. A lágrima veio, mas não desceu.
60 – Não sou durão
61 – Procuro comprar os DVDs de filmes que gosto
62 – Já comprei muitos CDs, mas hoje nem olho a prateleira
63 – Descobri a leitura sem obrigação aos 14 anos e desde lá nunca mais parei de “estar” lendo um livro
64 – Me chamam de chato
65 – eu gosto de ser chamado de chato
66 – odeio ser chamado de chato
67 – sou preguiçoso assumido
68 - Já me confundiram com viado. Eu não ligo. Me garanto.
69 – esse número é sempre bem-vindo.
70 - Uma vez, no carnaval, um vendedor de cerveja gay me bajulou a noite toda. Fiquei bêbado de graça e voltei para casa só.
71 - Tenho tendência a chamar atenção de homossexuais
72 – Meu gosto literário, cinematográfico e musical é extremamente chato, pelo menos é o que dizem.
73 – eu costumava criticar abertamente as escolhas das pessoas, mas hoje eu me controlo e apenas balanço a cabeça e sorrio sem graça.
74 – não acho cinema uma diversão. Até pode ser em certos momentos, mas não sempre. Cinema é coisa séria.
75 – O item anterior vale também para literatura e música
76 – Até hoje só li uma obra de Shakespeare. Sim, é uma vergonha
77 – Sou fã de Dostoievski, Kerouac, Jorge Amado, Garcia Márquez, Stephen King e Nick Hornby.
78 – acho a maioria das coisas da MPB uma bosta
79 – acho a maioria das coisas do rock atual uma bosta, mas criativos e inquietos, ótimas virtudes.
80 – sou jornalista há 3 anos, mas ainda acho que para ser tal não precisa ser formado, embora seja bom ter diploma
81 – faço pós-graduação em convergência e novas mídias e é bem capaz de seguir por esse caminho
82 – hoje trabalho com assessoria de comunicação, uma área que gosto também
83 – aos 14 anos eu descobri o Aerosmith e virei fã chato e inveterado da banda.
84 – Tenho todos os CDs e uma infinidade de raridades que hoje não fazem a menor diferença, mas eu não me desfaço de jeito nenhum
85 – Era o tipo de fã de ouvir todo dia e trocar material via correio com gente de todo o mundo: Bélgica, EUA, Argentina, Holanda...
86 – Em 2007 realizei meu sonho: fui ao show do Aerosmith, em São Paulo.
87 – A sensação de realizar um sonho é algo indescritível. Mesmo.
88 – Já fui assaltado várias vezes aqui no meu querido bairro.
89 – Minha bebida alcoólica preferida é cerveja, mas bebo de tudo.
90 – Não acho drink coisa de viado e o melhor de todos é Marguerita. Imbatível!
91 – Já tomei porres homéricos e vergonhosos, outros tantos memoráveis, mas todos impossíveis de esquecer.
92 – Já bebi muito e dirigi. E isso eu me arrependo.
93 – Já participei de concurso literário na escola. Por dois anos meu poema saiu no anuário.
94 – Já tentei escrever uma dezena de livros e roteiros, mas nunca passo da página 10.
95 – Confesso que esse meme está me dando um cansaço danado.
96 – sou adepto dos direitos humanos até para presidiários, embora quase todo mundo me critique por isso
97 – Meu trabalho de conclusão de curso teve a temática acima, foi muito bem aceito, mas fui taxado de “defensor de criminoso”.
98 – 2008 foi um bom ano, mas eu quero 2009.
99 – Não acredito em numerologia nem horóscopo, mas gosto do número 12, 7, 17 e 18. Às vezes o 23 também.
100 – SEM saco para terminar, só para não deixar passar em branco essa piada infame com o 100.
101 – Acho que escrevei muito, mas ainda tem muito mais. Devo me arrepender de ter escrito metade do que está aqui, mas quem está na chuva é pra se molhar.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Terra de Ninguém: o presente e o futuro

Já estamos no final do ano e esse fortuito blog não poderia deixar de entrar na baboseira de listas e retrospectivas. Estou preparando para dezembro alguns posts especiais, que com certeza vocês vão gostar. Vai ter muito top 10 (piores e melhores momentos de 2008), novos contos e outras novidades (quem sabe eu não responda à meme de Sun?). Também vou fazer alguns posts mais pessoais, com top 10 de músicas do ano, álbuns do ano, filmes do ano e livros que li em 2008.

Aliás, a principal novidade é que em 2009 eu vou mudar de endereço no ciberespaço. Vou tomar vergonha na cara e arrumar um lugar mais pessoal, bonito e cheiroso. Terei domínio próprio e mais liberdade para criar coisas novas, porque esse layoutzinho do blogspot e suas limitações já estão me dando nos nervos.

Semana que vem eu começo com alguns posts comemorativos. Devo contar, num ataque de egocentria, a história que me motivou a criar o blog. Pensei em fazer uma auto-entrevista, mas aí seria viadagem demais. Tem também um post que está guardado, sobre um tema chato, mas de extrema importância: a violência urbana. E ainda farei uma cobertura da minha viagem de reveillon, à Chapada Diamantina. Não sei ainda como, mas fotos sensacionais vocês terão: estou levando, além de uma máquina digital tradicional, uma relíquia fotográfica para registrar tudo em preto e branco.

Aliás, quem tiver sugestão para posts pode me falar que na medida do possível tentarei atender. E em 2009 eu espero estar num lugar melhor e com muitas novidades.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

O estereótipo do roqueiro baiano: uma noite no Pelô

Não, eles não são emos. Até poderiam ser confundidos como tal, mas não são. Em Salvador existem muitos emos, mas (graças a Deus) eles freqüentam shows vespertinos. O caso que apresento é de outros tipos de roqueiros. É aquele típico da Bahia, que calça coturno, veste camisa preta de banda e desfila com longos cabelos ao vento. E é aquele também que dificilmente veste camisa de banda (está fora de moda), arruma-se cuidadosamente e usa o cabelo milimetricamente desarrumado. É a nova onda indie de Salvador.

E eles estão por todas as partes. Essa semana eu presenciei um encontro deles num dos pontos mais visitados da capital. O Pelourinho foi palco de um show que reunia três das mais destacadas bandas independentes do país, duas delas as queridinhas do circuito indie brasileiro. O nome delas pouco importa aqui, pois o desfile de moda, comportamento e ousadia é o que fala mais alto.

Era 17h quando eu avistei a enorme fila que se formava em frente ao local do show. Evento (bom) à R$2 é raro, então não faltou gente interessada. Posicionei-me estrategicamente no final da fila e, já prevendo a enorme demora que seria aquilo ali, comecei a observar a reunião de indies soteropolitanos. Eles são ingênuos, porque acham que a moda e o comportamento do eixo-sul-indie-paulista é o que há de mais moderno nesse mundo. E não é. Não faltaram meninas bonitas com o rosto coberto por franjas e chapéus a lá Mallu Magalhães. Aliás, essa foi a mais copiada da noite. Só na fila eu avistei três, e um grupinho de meninotes se alvoroçou quando viu uma cidadã tão magra e decrépita quanto Amy Winehouse.

Os homens também não ficam atrás. Tinha um (insuportável, por sinal) copiando o estilo Peter Doherty, sem ter a mínima idéia do que é heroína e os efeitos que ela causa no seu “ídolo”. Os grupinhos se formavam em hordas histéricas, sempre pondo fofoquinhas em dia e confabulando quem iria dormir na casa de quem. Alguns tentavam se animar com um Ipod em pleno Pelô, talvez ouvindo alguma banda obscura de Teresina ou Alabama.

O mais latente era perceber que durante a semana eles não são assim. Visivelmente desengonçados mas ao mesmo tempo felizes como porcos na lama, eles se fantasiam para ir à festa, numa maneira quase que circense de se auto-afirmar através do som e da moda. Tirando uma banda baiana, as outras duas (ótimas, por sinal) emulavam um estilo completamente fora dos nossos padrões, o que é ótimo se você souber filtrar e se comportar como você mesmo. Mas não. Os indiezinhos estavam mais preocupados com o cabelo ou a bolsa da moda.

Não faltaram all stars multi-coloridos, presilhas de cabelo modernosas, bolsas pop art, calças xadrez, cabelos estilosos e muita histeria em torno dos nomes indies. Eu era um perdido e me sentia como tal. Na fila, sozinho, olhava para os lados à procura de um semelhante. Avistei apenas uma senhora, igualmente perdida e acompanhando seu filho (com típicos adornos indie, como óculos de aro grosso e camisa xadrez apertada), que trazia inteligentemente uma cadeira armável. Armou numa esquina e passou a apreciar a fila, ao mesmo tempo em que batia um papo amigável com dois policiais. Eu devia ter feito o mesmo...

Pior é que tentei ser indie. Ingenuidade minha achando que me misturaria á horda apenas empunhando meu all star standart preto. Eu era o mais démodé. Os indies soteropolitanos me olhavam indiferentes, me taxando de “loser”, como se eles fossem os queridinhos do colégio. Porra, tudo cambada de babaca que toma porrada de pagodeiro na escola. É, porque ali, naquele show, 70% eram de meninos espinhosos recém-saídos do segundo grau e se achando os donos do mundo por prestar vestibular para Sociologia na UFBA.

Ainda na fila, já de saco cheio, avistei cerca de 10 homens de preto descendo a ladeira. Quando se aproximaram, percebi que faziam parte da galera “old school” do rock baiano, os famosos metaleiros. Achei estranho, mas logo entendi quando eles passaram furiosos pelo meio da fila, provocando medo e descontentamento de alguns indies, e seguiram em frente, descendo outra ladeira. Soube que ali perto haveria também um show de Death Metal. Um deles, calçando coturno, vestindo camisa de banda e desfilando com longos cabelos ao vento, falou com ar de desdém logo após cruzar a fila: “Um monte de fã do Los Hermanos”. Na mosca.

P.S.: os shows foram do Móveis Coloniais Acaju, Vanguart e Cascadura.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

O bom-mocismo do verão

Não me espanta mais o bom-mocismo do verão. Baiano que é baiano fica mais legal, mais interessante e mais aberto à felicidade no verão. Estação do sol de rachar e do sexo pairando pelo ar, quem mais se dá bem por aqui são os turistas.

Tenho lá minhas restrições aos turistas em Salvador. Ninguém me convence que eles vêm para cá pra passear pelo Pelourinho, tomar água de coco na Lagoa do Abaeté ou apreciar a mistura de raças do carnaval. Não. Os gringos diriam: “bullshit” para tudo isso. Eles querem é foder. O turismo daqui, e acredito que em grande parte do Nordeste, é eminentemente sexual, muito com a anuência de nós baianos. Somos os bons moços do sexo alheio; somos o arroz, aquele que só serve para acompanhar. Ou Queiroz, o famoso “traz mulher pra nós”.

Nossa conduta de dezembro a fevereiro é completamente diferente da conduta do resto do ano. Aceitamos pacificamente qualquer estrangeiro de “binga branca cheia de pele” (juro que já ouvi isso) que venha atrás das nossas vaginas negrinhas (e aí não vai nenhum tipo de preconceito, é bom que se diga). É normal. Todos estamos acostumados, e se você tentar fugir um pouco dessa linha de procedimento, é logo taxado de chato e mal educado. É como se os gringos tivessem que ser mais bem tratados que nós mesmos, que vivemos aqui o ano todo sofrendo todas as agruras de ser o que somos.

Turista é ótimo porque ativa a economia e não aprovo nenhum tipo de xenofobia, mas aqui em Salvador nós somos os otários da balança. Vestimos uma roupa de mito do bom-moço que não nos pertence. Não, baiano não é hospitaleiro. Não, baiano não é bem educado. Na realidade do dia a dia, somos mal educados, chatos, encrenqueiros e arrogantes. Não ajudamos ninguém, não pensamos num futuro melhor nem muito menos lutamos pelo bem da nossa própria cidade.

Mesmo assim não fique triste, caro morador de outra localidade que não a Bahia. Não há melhor lugar no mundo para se ser turista do que Salvador. Não mesmo.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Top 10 - Tira-gostos

Só alguns esclarecimentos. Eu quis nesse top 10 colocar o máximo possível de tira-gostos mais consumidos na Bahia, mas também aliar às iguarias típicas. Imagino que tenha faltado alguma coisa. Aliás, a polêmica é serventia da casa.

Top 10 - Os melhores tira-gostos da Bahia


O campeão das mesas de bares de Salvador e toda Bahia. O escondidinho pode ser de várias coisas: carne de fumeiro, carne do sol, camarão, calabresa, avestruz, etc. Porém, o que dá a liga mesmo é o pirão de aipim que, se bem feito, é algo sensacional. Acrescente pimenta e tenha na boca o melhor tira-gosto baiano. Se você é de fora, em qualquer bar você encontra o prato.

2 - Acarajé no prato
Acarajé todo mundo conhece, mas só aqui na terrinha é que comemos o quitute cortado no prato. É mais comum nas barracas de praia, maior diversão do soteropolitano, mas também é saboreado em outros pontos da cidade. É democrático: num mesmo prato vem acarajé, abará, vatapá, salada, caruru e pimenta e todo mundo come ali mesmo.

3 - Caldos
Um caso à parte na culinária botequística da Bahia. Aqui você encontra todo tipo de caldo imaginável: de camarão à siririca. Isso mesmo. Caldo de siririca é apenas uma das muitas invenções dos nossos cozinheiros, que ainda preparam caldos levanta-defunto, como feijão, pinto (!), sururu, etc. É ótimo para curar ressaca ou preparar para uma boa bebedeira.

4 - Aipim frito

Uma boa combinação é aipim frito com bem sal e queijo ralado. Se pensam em batata frita, enganam-se, porque na Bahia o aipim frito é muito melhor.

5 - Pititinga com molho tártaro
Essa iguaria, pequeno peixe de água salgada, aguça os paladares só de falar. É comum em botecos e biroscas, como o famoso Mercado do Peixe, o buraco que nunca fecha em Salvador. A pititinga frita e crocante combina perfeitamente com o molho tártaro. Ah, e não é caro.

6 - Casquinha de Siri
É tão gostoso que virou até nome de estabelecimento de vadiagem baiana. O siri vem catado e bem suculento e basta acrescentar limão e pimenta para ter um manjar dos deuses.

7 - Moela
Essa é para os fortes de espírito e de estômago. Moela é parte do sistema digestivo de aves e aposto que você vai saborear com gosto. Acompanha farofa, arroz e muita, muita pimenta. É um dos melhores acompanhamentos para a cerveja.

8 - Arrumadinho
Delícia à base de carne do sol, é um prato legal porque basta ele pra encher a barriga. Arrumadinho é de uma consistência incrível, fruto de um balanceamento perfeito de carne do sol, vinagrete, feijão fradinho e farofa. Junte tudo e bom apetite.

9 - Queijo coalho
Incrível como isso faz sucesso, e não só na praia, onde é mais comum. Pra fazer é tão simples, que basta um fogaréu de carvão e o queijo trepidando de gostoso. Para acompanhar, é só acrescentar melaço de cana e, em alguns casos, orégano. Delícia!

10 - Passarinha
Também um clássico para acompanhar a cerveja gelada. É mais comum em botecos sujos do centro, mas também pode ser encontrado em bancas de acarajé. Se você é nojento(a), nem pense em experimentar: passarinha é o baço do boi.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Carnaval 2009

“Pense num absurdo. Na Bahia tem precedente”. Essa frase, dita há cerca de 50 anos, é meio que um epíteto do nosso Estado. Afora minhas histórias doentias e sujas (acredite, em muitos casos é a pura realidade), os precedentes absurdos existem aos borbotões. E polêmicas também. Para 2009, a prefeitura de Salvador gerou discussões acaloradas até na escolha do tema do carnaval. Imagine só.

Aliás, escolha essa completamente sem importância para a engrenagem da festa, que provavelmente ninguém mais iria se lembrar. Mas preste atenção no quadro. Todo ano a prefeitura escolhe um tema para ser homenageado, o que na prática só serve para pautar a decoração da cidade e uma ou outra matéria nos jornais. No mais, ninguém sabe quem é o homenageado.

Pois esse ano a prefeitura queria reverenciar Dorival Caymmi, mas decidiu tudo sem consultar a família do velho Dori. Depois de tudo anunciado, a imprensa foi repercutir com os filhos e... Epa! Ninguém sabia. A discussão então volta à pauta da organização da festa, que começa a pensar em homenagear Carmen Miranda, que, por sua vez, não teve a imagem liberada pela sobrinha. Numa semana, o impasse e a sucessão de informações desencontradas estavam instalados na cidade.

Um assunto irrelevante passou, então, a ter uma repercussão muito maior do que deveria. A incapacidade de resolver um problema simples e pouco importante só nos leva a crer que outras questões muito mais relevantes terão o mesmo caminho: a confusão. Quer dizer, todos já sabemos disso, mas esse seria um tema para outro post.

Por outro lado, se é para homenagear uma figura pública, proeminente e importante culturalmente, porque há a necessidade de uma autorização meramente burocrática? Ganância familiar? Muito melhor então foi a, enfim, escolha da prefeitura: homenagear os afoxés e os 60 anos do bloco afro Os Filhos de Gandy.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

O Encantador de Feridas

Josué acordou assustado. Igual àquele sonho ele nunca viu, ou melhor, nunca ouviu falar. Já há duas semanas que se repetia a mesma história na mente doce do rapaz: um avião sobrevoava Salvador e jogava bombas em locais estratégicos, como o Palácio do Governo, o Teatro Castro Alves e o Pelourinho. Ele assistia a tudo, mas não era atingido por nada, só se assustava e invariavelmente acordava quando Márcia vinha descendo a Bonocô andando de skate e com gases e soro fisiológico nas mãos.

A imagem de Márcia andando de skate era dantesca. Enquanto preparava o café, Josué se arrepiou só em pensar naquela gorda cheia de varises subindo num frágil pedaço de madeira acrescido de rodas minúsculas. Isso lhe assustava, e não as gases e o soro, pois ele associava logo a sua profissão. Josué era auxiliar de enfermagem.

No Hospital Geral do Estado, o rapaz, 25 anos, recém-formado na turma de curso técnico, cuidava do setor chamado “geralzão”, aquele povo que ninguém sabe bem como classificar e joga de qualquer forma. Josué, assíduo e perspicaz, procurava aprender tudo da melhor maneira possível para não errar, mesmo que estivesse cuidando de um bandido ferido. Ética acima de tudo, pensava o garoto. E não poupava esforços. Como aquele era o setor mais nojento e decrépito do Hospital, os novatos eram mandados diretamente para lá. Era comum pessoas morrerem de gangrena e infecção generalizada, mas paciente de Josué não.

O maior orgulho dele era cuidar de feridas. Certa vez Josué viu um filme chamado “A Encantadora de Baleias” e achou belíssimo, chegou a chorar enquanto sugava um refrigerante sem gás. Resolveu então adotar esse apelido para ele mesmo, só mudando o destino do encanto. As feridas eram muito bem cuidadas. Ele lavava, esterilizava e fazia todo o asseio da melhor forma possível.

E Josué era feio. Não que isso interferisse na sua brilhante carreira de cuidador de feridas, mas ele chamava atenção ao avesso. Até por isso Márcia, a gorda varizenta, dava em cima dele descaradamente. E Sinéia também, essa com 1m80 de altura, mas que não podia doar sangue de tão magra.

A bonita do pedaço era Maria Edelzina de Jesus dos Santos, assim mesmo pomposo e grande, do jeito que Josué gostava de ouvir um nome. Religiosa no nome, mas safada no meio médico local. Ela era também auxiliar, mas, diziam as más línguas do Hospital, ia para cama com muitos médicos e até pacientes. Quem não tinha tesão por ela? Josué, do alto de sua feiúra, banhava-se no próprio suor todo dia se masturbando no vestiário masculino. Uma vez roubou a calcinha dela de dentro do armário. A facilidade foi tão grande e o cheiro tão excitante, que o rapaz pensou em algo brilhante e fatal.

Era uma sexta-feira. Josué saía às 21h, mesmo horário de Maria. Ela pegava ônibus do outro lado da Av. Ogunjá, mas antes que lá chegasse precisava subir uma rua deserta. Ele foi até lá, escondeu-se e, com um ralador de cebola, ralou a mulher toda. Antes, claro, deu éter para Maria cheirar. Não viu nada.

Josué não se fez de rogado e ainda saiu como herói. Levou a bela mulher às pressas para o próprio Hospital para o pronto atendimento. Maria era uma pena de se ver: toda retalhada, dos braços ao rosto, ela mal era reconhecida pelos parentes. Josué olhava de longe e ninguém desconfiava do que realmente tinha acontecido. A polícia chegou a ser acionada, mas nada encontrou.

Os dias seguintes foram os mais felizes para Josué. Daquele dia em diante ele passou a pegar o turno da madrugada no setor “geralzão”. Felicidade era pouco, pois todo dia ele transava com ela, mesmo desacordada. Quando Maria dormia, Josué vinha com anestésico e aplicava na mulher, virava ela de costas e não perdoava a (pretensa) virgindade anal dela. Os outros pacientes nada desconfiavam, pois dormiam os sonhos dos justos em seus leitos.

Numa bela sexta-feira, às 6h, Josué voltava tranquilamente para casa, em Cajazeiras. A bunda volumosa de Maria ainda permeava seus pensamentos, quando ele viu seu ônibus e levantou o braço, chamando o coletivo. Não deu tempo de entrar. Uma bicicleta doida veio de longe e acertou em cheio suas pernas, jogando-o para debaixo do ônibus, que já arrancava. A cena foi degradante.

Josué perdeu o braço e o bom sexo de todas as madrugadas. Mas ganhou uma realidade já conhecida. Todo dia quem vinha fazer o curativo era Márcia, gorda, com varises e muitas gases e soro fisiológico na mão. Nos novos sonhos, Josué traçava Márcia de quatro para todo o Hospital ver.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Diálogoso do Cotidiano - Obama nas alturas

- Seu Jonas... Aqui sua revista. "Veja", né?
- Ela mesmo, Bahia
- Bahia não, Seu Jonas, eu sou Vitória, porra. Tá me estranhando é?
- Eu tô ligado que você é tricolor. Aliás, todo mundo é tricolor, até ele, Barak... Aqui ó, na capa da revista. Usando gravata azul, vermelha e branca.
- Bara o quê?
- Barak Obama, novo presidente dos EUA. Essa TV velha da portaria não tá funcionando não?
- Funcionar funciona, mas eu não sei nada desse tal "sarak osama".
- É Barak Obama.
- Engraçado, Seu Jonas... Ele é negão, né? Igual a eu e tem esse nome aí de terrorista...
- Ele é negão e vai ser um grande presidente, Bahia. Fique tranquilo que o futuro da humanidade está a salvo
- E já dá pra saber que o homem é tudo isso é?
- Dá sim. Ele tem ótimas idéias, vem de origem humilde, é negro, inteligente...
- Parece comigo esse cabra
- Bem que podia ser mesmo.
- Venha cá, Seu Jonas. Só uma perguntinha... Esse tal Barak aí não é a mesma coisa de Lula? Vem de origem humilde, é nordestino, encanador e o povo botava tanta esperança nele...
- Obama é diferente, Bahia.
- Mesmo assim de longe você tem tanta certeza?
- É a globalização, Bahia. A globalização deixa tudo mais perto.
- Sei não. Cajazeira continua longe daqui.
- Né bem assim não. Outro dia eu te explico. Mas se alguém te perguntar se esse Obama é bom, você diz que pelo menos melhor que Bush ele é.
- Seu Jonas, a única buxa que eu conheço é a do dominó. E essa é boa que é danada.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Crônica de uma noite errante

Vinha andando pelo Corredor da Vitória com as mãos abanando e o coração apertado. O passo torto e o nariz coçando talvez indicassem uma carreira de pó cheirada minutos atrás. Cristina era tímida demais para chamar alguém para lhe acompanhar naquela sessão cult de cinema.

O filme já era um fator de espantar amigos: rodado na china comunista, sob um olhar Polonês e com atores galeses. E era quase um pornô, não fossem as críticas positivas dos intelectualóides de plantão. Na sessão, apenas mais dois casais gays e só ela perdida na imensidão de uma cadeira escondida no canto da sala.

Na mente, ela mal conseguia organizar as idéias e nem percebeu quando um dos homens voou por cima do outro, realizando uma posição sexual tão inovadora que era preciso virar de ponta-cabeça para entendê-la. Pobre Cristina, que à essa altura tinha a calcinha molhada de tesão não pelo filme, mas pelos homens se pegando. Mesmo assim, achou aquilo tudo muito sujo e saiu da sala aos prantos.

Estava sozinha, com a bolsa a tiracolo e o olhar perdido na avenida grande à sua frente. Perambulou mais uns minutos rumo à Praça do Campo Grande. Era uma tarde, quase noite, típica de um domingo perdido no meio do ano. Olhou as flores, mas não se encantou por nada. Pensou em ir ao Teatro Castro Alves, mas decidiu ficar por ali mesmo, sentada chupando um sorvete de coco. Derreteu todo em sua mão, porque a garota não conseguia esconder sua frustração com a vida e com aquele pobre cachorro que olhava pra ela à espera de alguma migalha: “que maldita vida é essa que reserva uma alma a um cachorro sarnento pedindo uma gota de sorvete?”.

Padeceu diante das luzes dos carros, e mais uma vez andou em direção contrária a seus próprios pensamentos. Topou num bar de esquina, já quase virando a Avenida Sete. Sentou, acendeu um cigarro esmigalhado e pôs-se a beber em goles homeopáticos a cerveja que vinha sem gosto. Puxou, então, de dentro de sua bolsa uma carta amarelada, talvez pelo tempo, talvez por outra coisa qualquer. Limpou o rosto e olhou para os lados, como quem esconde algo, e abriu a carta. Fechou imediatamente, pois um mendigo sujo roubou sua bolsa e saiu correndo. Nem teve tempo de nada.

O mendigo foi derrubado com um golpe certeiro com a perna, dada por um cidadão não menos suspeito ali mesmo em frente ao bar. Cristina somente olhou de soslaio e nem esboçou um obrigado ao rapaz. Pagou a conta e se foi.

Cruzou a rua e parou defronte à Casa D´Itália. Fitou durante exatos 5 minutos um cartaz de uma mostra de esculturas australianas. Pensou mil vezes tentando entender como uma casa de cultura italiana podia servir de lar para uma exposição de outro continente. Olhou para os lados novamente e entrou. Lá dentro encontrou uma mesa. Estendeu o cartão de crédito e soltou o pó todo em cima. Mais uma carreira.

Foi o suficiente para mais uma caminhada sem rumo, mas apressou-se quando viu atrás de si duas mulheres cochichando. Correu, de verdade. Adentrou o Hotel da Bahia como um raio e fugiu pelas escadas. Chorou novamente entre o segundo e o terceiro andar, mas foi interrompida pelo toque do celular. Balbuciou qualquer coisa e subiu a seu quarto.

Lá fora, em frente ao hotel, centenas de pessoas já se aglomeravam procurando por Cristina. A famosa cantora americana, ninguém sabia, chorava abraçada a uma carta.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Festa de Baiano

Num âmbito tradicional e cotidiano, a típica festa de baiano se repete praticamente igual em qualquer lugar da cidade e do Estado. Para quem não é daqui, é capaz de não saber, mas o baiano adora festejar qualquer coisa, desde aniversário, até formatura de high school e ovações a santos e orixás. E, par a isso, gosta mais ainda de economizar nos comes e bebes.

A hospitalidade é conhecida nacionalmente, mas não confunda isso com “mão aberta”. Baiano é o cidadão mais miserável que existe quando o assunto é dinheiro. Numa festa não é diferente. Tirando os típicos salgadinhos e doces ao estilo buffet, o típico festejo da Bahia é regado a Caruru, Feijoada ou qualquer outra comida que se faça numa panela de meio metro e que dê pra meia cidade. É, porque nesse tipo de comida é barato e todo mundo come. Óbvio, precisa nem dizer, que todo mundo gosta e sai falando bem.

O principal prato, no entanto, é mesmo o caruru. Eu já falei aqui rapidamente, certa feita, sobre o Caruru, essa iguaria típica daqui e que arrebata corações. O baiano adora porque, primeiro é com dendê (e tudo com dendê é saboroso) e segundo porque não é preciso muito dinheiro para fazer. Qualquer feira de esquina tem quiabo barato, mas tem que saber escolher. Cozinhar é difícil, mas com o tempo pega-se a prática e, além disso, toda família baiana razoavelmente grande tem uma secretária do lar (empregada, porra!) de longa data que sabe fazer tudo na cozinha, principalmente comida típica. Para acompanhar, tem de tudo: arroz, acarajé, vatapá, farofa de dendê, feijão fradinho, rapadura, xinxim de galinha, banana frita e muito mais.

Mas o Caruru não é simples assim quando falamos da sociabilidade. Numa festa de baiano, é comum chamar todo mundo que se conhece para dar um quorum legal e todo mundo sair falando bem, outro ponto importante do nascido na Bahia: gosta que falem bem da comida dele. No caso da iguaria de quiabo, existem várias “desculpas” para se fazer. O mais famoso é o Caruru de 7 meninos, em que faz-se o prato 7 meninos comerem. É uma tradição típica da Bahia, já que une santos católicos e orixá do candomblé. O dia é 27 de setembro e nem só crianças comem, pois é extremamente comum nesse dia famílias fazerem Caruru em homenagem aos santos gêmeos ou ao orixá ou aos dois. E todo mundo come.

Mas também existem outros Carurus famosos, como o de Santa Bárbara, mas também se pode oferecer a iguaria a qualquer coisa, como falei anteriormente: de formatura a um simples aniversário. Tem também o Caruru da Semana Santa, uma bela de uma contradição católica que só poderia ser vista aqui na terrinha, pois a comida é de candomblé e ingerida numa festa (uma das maiores) católica – é assim muito pelo fato de que num determinado dia da Semana Santa, como todos sabem, não se come carne. O Caruru faz companhia à moqueca de qualquer coisa que se faz nesse dia.

Outras comidas típicas oferecidas em qualquer festa de baiano: maniçoba (uma das comidas mais difíceis de fazer), feijoada, cozido, dobradinha e sarapatel.

sábado, 1 de novembro de 2008

Ó Paí, Ó... Quanta besteira

Se o filme Ó Pai Ó, lançado em 2007 e dirigido pela péssima Monique Gardenberg, apresentou uma história fraca e sem pé nem cabeça, agora a série, de mesmo nome e que estreou na Globo nessa sexta, resolveu apelar. E fez feio, muito feio. Com a mesma diretora liderando o projeto, o seriado teve seu primeiro episódio repetindo os mesmos erros do longa: história fraca, personagens caricatos e piadas sem graça nenhuma.

Eu realmente não sei qual é pior: se o primeiro episódio ou o filme todo, lançado há quase dois anos. Dessa vez, o projeto manteve parte dos personagens e histórias antigas, mas em momento algum consegue ganhar fôlego. De um lado temos o mesmo Roque tentando ser cantor, e do outro um punhado de personagens saídos do imaginário de pessoas que de jeito nenhum vivem a realidade de onde tentam mostrar. Aliás, o tal Roque é cantor de um estilo típico de grandes gravadoras e produtores musicais, nunca soando genuinamente baiano. Podia ser um reggae, pagode, axé, brega... Mas o que se ouviu foi um estilo asséptico e certinho demais. E as roupas dele? Visivelmente de marca e com ícones americanos, como Jimmy Hendrix, e sem nenhum diálogo com a realidade local.

Os problemas não param por aí. A temática abordada nesse episódio, “Mercado Branco”, em momento algum consegue cumprir seu papel de crítica ao falido sistema fiscal brasileiro e municipal. Por mais que tente, o roteiro só consegue tirar poucas risadas quando o tema é tratado, deixando de fora uma discussão mais ampla e centrada do problema dos impostos e do mercado informal.

Os personagens, nessa mesma linha, não convencem, principalmente para quem mora em Salvador. Alerto: esse povo do seriado não existe! A realidade é outra muito mais sofrida, violenta e sem maquiagem. Se a intenção era mostrar o povo, como alardeou diretores, atores e produtores, a missão falhou feio. Tudo é muito colorido e os personagens falam como se estivessem gingando numa roda de capoeira, sem nenhum espelho com a naturalidade do povo.

Se vocês puderem, fujam do próximo episódio. Eu ainda me pergunto como um cara talentoso como Matheus Nachtergaele se propôs a fazer aquele personagem, o Queixão. Não consigo entender, não entra na minha cabeça. Lázaro Ramos? Esse aí tem justificativa: parece que sentiu uma dívida com o Grupo de teatro que o ajudou no começo da carreira (que produziu a peça original “Ó Paí Ó”) e resolveu retribuir encabeçando o projeto. Pena que é uma furada das grandes.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

O Divã do Axé Music

Mesmo pertencendo a um filão que cada vez gera mais dinheiro, os artistas baianos de axé tentam se aventurar por outras áreas musicais. É o caso de Ivete Sangalo, Banda Eva, Margareth Menezes, Daniela Mercury, Claudia Leite e muitos outros, que renegam o estilo durante todo ano, para no período do carnaval se esbaldarem na folia profana dos milhões de reais.

É engraçado. Em fevereiro, todos estão estampados na TV para milhões de brasileiros assistirem o que muitos dizem ser a maior festa popular do mundo, feito esse bastante controverso. Os planos publicitários não negam: o negócio dá dinheiro e não é à toa que no último carnaval a prefeitura conseguiu vender com folga as cotas de patrocínio. Os blocos, grandes mantenedores da folia, acumulam cifras cada vez mais astronômicas para estampar nas camisas e trios marcas nacionalmente famosas. Mas porque então as estrelas do axé só se voltam ao estilo nesse período do ano?

Claro, muito longe daqui existem as micaretas, que movimentam mais outros milhões (curioso que em se tratando de axé tudo é em “milhões”) por todo país. Ninguém se engana, mas Ivete e Claudia Leite, pra ficar apenas em dois nomes, faturam rios de dinheiro com essas festas. Mas musicalmente falando, o papo é outro.

Somente esse ano, vários estandartes do axé music lançaram trabalhos em outros ramos musicais. Margareth Menezes acaba de jogar no mercado seu novo disco, “Naturalmente”, recheada de canções compostas por Nando Reis, Chico César, Gilberto Gil, Arnaldo Antunes e Marisa Monte. Axé? Muito longe disso. A própria disse que queria se distanciar do som da Bahia. Ivete Sangalo é outra, que acaba de lançar um CD de música infantil juntamente com Saulo Fernandes, outro baluarte da atual cena baiana. Daniela Mercury, não precisa nem dizer, já figurou no cenário brasileiro ao som de canções que beiravam a MPB voz e violão. E Carlinhos Brown? Músico inquieto e extremamente criativo, já viajou por estilos variados, mas sempre com sucesso nacional. O Jammil também andou se aventurando pela onda acústica, assim como Cheiro de Amor (que ainda vai lançar). Luiz Caldas também não fica de fora: lançou esse ano 4 CDs distintos, cada um num estilo diferente.

Auto-afirmação

O problema do axé é a auto-afirmação, já que todo esse cenário de 10 meses no ano só vem para confirmar essa tese. Criticados por serem superficiais e fracos musicalmente, eles se voltam, durante o ano, para trabalhos mais autorais e aprofundados, sem perceber que essa não é a praia deles. O resultado quase sempre é ruim. O mundo pop já provou que querer agradar somente a crítica somente não leva ninguém a lugar nenhum. Alguém lembra do caso Netinho? Ele abandonou uma carreira de sucesso no axé para cantar mpb/pop e se deu mal, tão mal, que voltou correndo para as tetas da indústria do axé anos depois.

Para não cair no erro do ex-Banda Beijo, os artistas de hoje fazem o jogo da balança: de março a dezembro tentam se afirmar musicalmente tocando coisas fora do axé, e nos dois meses seguintes correm ofegantes para as tetas da mamãe axé. É claro, não admitem de forma alguma o problema, mas a cada ano essa questão vem crescendo. É só ver nos blocos em fevereiro a alegria carnavalesca dos milhões.

Para mim, o pior é o caso de Daniela Mercury, que tem um potencial enorme para cantar mpb/afins e faz, mas ainda tem a cara de pau de dizer que no carnaval ela é revolucionária. Certo ano, levou para cima do trio um pianista clássico que acalmou todas as brigas e fez o folião mais louco dormir sonhando com os anjos. E a música eletrônica? Ela leva, mas até um certo ponto. Na maior parte do trajeto é tambor de um lado, guitarra do outro e as letras superficiais comandando a festa. Axé puro. O mesmo acontece com Carlinhos Brown, que só deixa para a Bahia as músicas descartáveis e com futuro somente no gueto axezístico. Para o resto do país ele mostra sua veia mais criativa e sensível.

Pensa que eles ligam? De forma alguma. Em fevereiro estão lá, prontos para mais um ano de folia, esbaldação e exploração do profano.

Contra a maré

Mas há quem vá contra a maré. Chiclete Com Banana, por exemplo, navega tranquilamente no barco do axé sem (quase) nunca o renegar. É fato que vez ou outra gravaram um disco de forró, mas nunca deixaram de lado o estilo que o consagraram. Assim faz também o Asa de Águia e outras bandas menores de pouca expressam, mas que não se sentem sujos ao abraçar o axé o ano todo. No caso desses não há vergonha. Muito mais honesto.